Cidadão

Música dos povos originários é destaque no circulasons

Festival chega à 6ª edição propondo uma imersão nas sonoridades dos povos originários, da natureza e das cidades, ampliando a forma de ouvir e perceber o mundo

Londrina se prepara para receber a 6ª edição do Festival circulasons – Escuta! Música e Ecologia Sonora, que acontece de 1º a 10 de maio, com o patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o Promic. O evento convida o público a mergulhar nas tradições culturais dos povos originários, nas sonoridades das florestas, nos sons da natureza e também nos ambientes urbanos.

Com uma programação intensa que inclui shows, concerto, exposições, oficinas, rodas de conversa, mostra de cinema, mostra radiofônica e Espaço de Escuta, o festival se consolida como um espaço inovador de expressão e circulação artística. A idealizadora e curadora do circulasons, Janete El Haouli define o festival como uma proposta voltada a “ouvidos pensantes”, capaz de ampliar a percepção sobre diferentes musicalidades. “O circulasons é, antes de tudo, uma proposta artístico-cultural-educativa que valoriza a experimentação, a diversidade e a pesquisa sonora. O som é pensado como um campo expandido, que se conecta com o conhecimento e com a forma como nos relacionamos com o mundo”, afirmou.

Destaques musicais no Teatro Ouro Verde

Três apresentações musicais ganham destaque na programação, todas com entrada gratuita no teatro Ouro Verde. Os ingressos poderão ser retirados na bilheteria, uma hora antes do espetáculo.

No dia 2 de maio, a cantora indígena Djuena Tikuna sobe ao palco do Teatro Ouro Verde, acompanhada por Diego Janatã, em um show que celebra os cantos do povo Tikuna, do Alto Solimões, na região amazônica.

No dia 3, é a vez de Marlui Miranda, referência na pesquisa da música indígena no Brasil, se apresentar ao lado de músicos virtuosos como Paulo Bellinati, Rodolfo Stroeter, Caíto Marcondes e Ricardo Mosca.

Encerrando o festival, no dia 10 de maio, o pianista Fabio Caramuru apresenta um concerto intimista que reúne obras de Tom Jobim e composições do projeto EcoMúsica.

As exposições também integram a programação. No saguão do Teatro Ouro Verde, o público poderá visitar “Nhe’ẽ”, com fotografias de artistas indígenas do Paraná.

Sesc Cadeião Cultural e outros espaços terão programação diversificada

Já no Sesc Cadeião, a exposição “Memórias Silenciadas”, realizada em parceria com o Museu do Café, propõe reflexões sobre história e apagamentos culturais. O Sesc também contará com o Espaço de Escuta com a obra radiofônica “Kayapó: o choro do Chefe Raoni”, do compositor alemão Robin Minard, em versão em português desenvolvida por Janete El Haouli com colaboração de José Augusto Mannis.

O espaço recebe ainda uma roda de conversa sobre a resistência cultural dos povos Kaingang e Guarani, nos dia 02 de maio, e uma mostra de filmes e documentários, com três sessões diárias, nos dias 03, 05 e 06 de maio.

A Divisão de Artes Cênicas da UEL (DAC) sedia duas oficinas formativas: “Caminhos para Alcançar a Música Indígena no Brasil”, com Marlui Miranda e Magda Pucci, e “Des-habitar escutas”, com Valéria Bonafé, além de uma roda de conversa sobre a preservação da memória, com Angela Papiani. O festival também promove rodas de conversa sobre as sonoridades do grupo Mawaca, dia 05, na Livraria Olga e sobre saúde e violência sonora, na Unimed Londrina, no dia 07.

O circulasons também ocupa as ondas do rádio, com a exibição do “Programa de Índio”, apresentado por Airton Krenak e outras lideranças indígenas, de 1 a 10 de maio pela emissora educativa UEL FM.

Escuta como experiência e reflexão

Evidenciando as vozes dos povos originários do Brasil, a proposta desta edição do circulasons vai além do ouvir. “Escutar é acessar camadas invisíveis. O público é convidado não apenas a assistir, mas a vivenciar as experiências sonoras”, destacou El Haouli.

A relação da curadora com a Ecologia Sonora começou nos anos 1980, a partir do contato com as pesquisas do educador canadense Murray Schafer. Desde então, sua percepção sobre o som se ampliou. “Passei a escutar o ambiente de outra forma, percebendo sons que antes passavam despercebidos”, relembrou.

Essa abordagem também marcou sua trajetória como professora na UEL e criadora do programa “Música Nova: rádio para ouvidos pensantes”, exibido entre 1991 e 2005. Para Janete, a escuta é um exercício que amplia a imaginação e a sensibilidade. “Ouvir diferentes músicas e sons fortalece a criatividade e transforma nossa forma de perceber o mundo”, afirmou.

A curadoria desta edição foi construída novamente em parceria com o produtor Fabrício Polido, que a acompanha desde 2022. Juntos, desenvolveram uma programação que integra diferentes linguagens e propõe uma verdadeira ecologia de práticas artísticas, em que o som atua como elemento de memória, resistência e criação coletiva. “O público pode esperar dias intensos, com encontros, trocas e experiências profundas. Cada artista traz consigo um universo próprio, e é nesse encontro entre diferentes mundos que o circulasons acontece”, concluiu.

Texto: Assessoria de imprensa / DOC Comunicação 

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