Prefeitura e Unopar Anhanguera lançam projeto de apoio psicológico para mulheres
Iniciativa oferece acompanhamento gratuito para mulheres e seus familiares, visando o tratamento da saúde mental
A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM) lançou nesta quinta-feira (21) o projeto “Vozes que Florescem”, em parceria com a Clínica Escola de Psicologia da Universidade Unopar Anhanguera. O evento ocorreu no Auditório da Prefeitura de Londrina, trazendo luz à ação que oferece atendimento psicológico gratuito para mulheres em situação de vulnerabilidade.
O projeto de extensão é uma iniciativa focada na promoção da saúde mental feminina, oferecendo suporte focado em proporcionar autonomia e dignidade às participantes. A cooperação institucional entre a Unopar Anhanguera e a SMPM originou-se durante a pandemia, em 2021, por meio de um serviço de luto chamado “Acolher”, e evoluiu para a formatação atual. A parceria opera de forma estruturada: a secretaria municipal atua na triagem e no encaminhamento da demanda pública, enquanto a universidade viabiliza a execução do atendimento como uma prática de extensão curricular para seus estudantes.
A participação é direcionada prioritariamente às mulheres que já são atendidas pelos serviços da secretaria, como o Centro de Oficinas para Mulheres (COM) e o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM), estendendo-se também aos seus filhos e familiares vinculados que necessitem de acompanhamento psicológico. Não existe apenas um formato de assistência, visto que as abordagens presenciais se dividem entre sessões individuais e em grupo. O método estabelece que o processo se inicie no formato individual e, conforme a avaliação técnica aponta que a paciente possui condições de evolução no coletivo, ocorre o encaminhamento para a terapia em grupo. Os atendimentos são executados por universitários do oitavo, nono e décimo períodos de Psicologia, supervisionados diretamente por docentes psicólogos habilitados pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP).

No estágio inaugural do primeiro semestre, a meta estabelecida é de 30 vagas destinadas à Clínica Escola da unidade Catuaí, na rua Edwy Taques de Araújo, 900, juntamente com a unidade Piza, na avenida Paris, 675, também realizando o atendimento de forma simultânea para facilitar o acesso das mulheres em diferentes regiões e bairros da cidade. Há ainda a previsão de ampliação quantitativa do número de vagas para os próximos semestres, conforme a evolução do projeto. As mulheres que se enquadram no público-alvo da SMPM e desejam acessar o serviço, ou obter mais informações sobre o processo de inserção, devem procurar diretamente a SMPM por meio do telefone e WhatsApp (43) 99945-0056.
No lançamento, o prefeito de Londrina, Tiago Amaral, destacou a importância de combater os abusos no município. “Reforçamos o tempo inteiro a necessidade de combater a violência em todas as suas formas, seja ela física ou psicológica”, explicou.
Amaral pontuou a relevância da manutenção dos tratamentos para a eficácia dos serviços de saúde. “Podemos perder tudo o que foi conquistado nos primeiros atendimentos se não conseguirmos garantir a continuidade do cuidado”, afirmou.

A primeira-dama do município, Juliana Amaral, ressaltou as dificuldades enfrentadas diariamente pelo público feminino. “A mulher tem uma sobrecarga grande em sua rotina diária, que demanda muito. Comumente, ela precisa cuidar dos filhos, da casa, mas ela também quer trabalhar e cuidar da saúde”, pontuou.
Ela enfatizou a necessidade de o poder público pensar em ações que considerem a rotina materna. “Nós fizemos uma feira de empregos direcionada, pensando na flexibilidade para essa mãe”, relatou. Juliana também destacou a urgência na expansão do amparo psicológico para os dependentes. “Vai atender mulheres que passam por situações desumanas, vai atender os filhos, os familiares, que também sofrem muito”, completou.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Marisol Chiesa, explicou a dinâmica de transição necessária no pós-acolhimento. “Durante o acolhimento, trabalhamos a questão da violência, mas é fundamental planejar o momento seguinte e garantir a continuidade desse cuidado”, afirmou.
A gestora enfatizou a necessidade da ampliação do escopo de atendimento. “O projeto vai além, pois atenderemos mulheres que enfrentam situações de extrema vulnerabilidade e que também são mães”, declarou. Ela reforçou a visão sistêmica sobre os traumas causados no ambiente doméstico. “Toda a rede familiar, como pais e irmãos, sofre em conjunto. Por isso, vamos estender esse atendimento”, explicou Chiesa.

Responsabilidade social e formação – A reitora da Universidade Unopar Anhanguera, Flávia Frutos, avaliou a responsabilidade social atrelada ao ensino superior. Ela relatou o objetivo da experiência clínica extraclasse no aprendizado. “Nós queremos que o nosso aluno saia da universidade com uma formação multidisciplinar centrada na vivência em comunidade”, pontuou. A reitora explicou a expectativa sobre a formação cidadã dos futuros profissionais. “Que eles percebam o impacto positivo que podem gerar na sociedade por meio de um voluntariado, mesmo após estarem formados”, observou.
A coordenadora do curso de Psicologia da Unopar Catuaí, Flávia Jacobsen, informou que as consultas possuem diferentes dinâmicas clínicas. “O projeto contempla as modalidades de atendimento em grupo e individual”, informou.
A docente detalhou o critério de transição adotado entre os formatos de terapia. “Caso seja identificada a necessidade durante as sessões conjuntas, a paciente será encaminhada para o acompanhamento individual”, relatou. Ela confirmou a extensão das vagas aos familiares das assistidas. “Como muitas dessas mulheres possuem filhos acompanhados pela rede, ampliamos o acesso para que eles também recebam suporte psicológico”, concluiu Jacobsen.

A estudante de Psicologia, Sônia Porto, destacou a oportunidade de vivência real junto à comunidade. “Na universidade, já acompanhamos a integração contínua entre a teoria e a prática”, citou. Ela pontuou a consolidação do aprendizado antes da inserção no mercado de trabalho. “Atuar de forma direta no atendimento ao público, nesta reta final do curso, consolida a nossa profissionalização e agrega experiência fundamental à nossa formação”, analisou.
A liderança comunitária Rosalina Batista relembrou o longo histórico de articulação civil em defesa das pautas femininas locais. “O nosso compromisso, unindo a sociedade civil e as servidoras da secretaria, é defender essas ações como políticas públicas permanentes para as mulheres”, recordou. Ela apontou a necessidade de apoio contínuo do poder Executivo para a permanência dos direitos sociais. “Quando conquistamos uma política pública efetiva, é fundamental valorizá-la e garantir a sua manutenção”, avaliou.
Texto: João Victor de Souza, estagiário do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




