Cidadão

Paulo Vitor Poloni ressoa a pluralidade do país em novo álbum

“Cantando o meu Brasil”, que acaba de entrar nas plataformas digitais, reúne estilos musicais e consolida a versatilidade do canto e da composição do artista londrinense, com parcerias nacionais

O quarto disco de carreira de Paulo Vitor Poloni traz na capa o seu inconfundível sorriso multiplicado em vários flashs. É a tradução visual da sonoridade de um álbum cheio de humor, que passeia por “poéticas, melodramas e um acalanto”, como diz o slogan, e por diferentes modos de entoação do canto brasileiro, nos quais o artista tem se especializado ao longo de sua trajetória – seja nos palcos, na pesquisa e no ensino. “Cantando o meu Brasil” – assim mesmo, no gerúndio íntimo da nossa língua – sela parcerias na composição e na interpretação com músicos de diferentes partes do país, refletindo os trânsitos que Poloni tem feito, ao transformar Londrina em ponto de parada para célebres cantores.

Foto: Ber Sardi/ Divulgação

As dez canções já podem ser acessadas nas plataformas de streaming, como Spotify, Deezer, Youtube Music, ou por meio do seu site www.paulovitorpoloni.com. O projeto foi patrocinado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), e tem apoio da Rádio UEL FM.  

Conhecido por sua relação com o samba, Paulo diz que foi na pandemia que despertou o desejo de compor outros estilos, logo após lançar “Já to no samba”, de 2019, exclusivamente dedicado ao ritmo. “‘Cantando o meu Brasil’ carrega uma vontade de entoar os gêneros com os quais me identifico e que estavam nascendo a partir dessas composições. A primeira que surgiu foi um forró – então eu já entendi que o disco não seria só de sambas. A segunda que veio foi um choro, que compus dedicado à Silvia Borba. Depois nasceu um maxixe; e aí, uma valsa. E os sambas, que obviamente apareceriam no álbum”, explicou. O forró ao qual se refere é a faixa que abre o disco, “A paixão”, em que aborda as contradições deste sentimento “traiçoeiro” e “feiticeiro” com humor: “Cumpade disse que quem anda nessa vida / sem chamego, sem suspiro e sem uns cheiro no cangote / Tá de fricote, é sacerdote, tem pouco dote / ou não achou quem lhe suporte”. 

Já o choro dedicado à amiga e cantora recifense radicada em Londrina, Silvia Borba, chamado “Canto bendito”, é uma ode ao ofício do intérprete, que transmuta chagas e mágoas que deveras sente em instrumento “pra consolar o aflito / pra confortar um irmão”. A canção foi apresentada em primeira mão em live com Teresa Cristina durante a pandemia, e a emocionou. O maxixe “Quando ioiô vai pro samba”, com interpretação dividida com Alice Passos, parece suscitar a encantada brasilidade de Caymmi, ao descrever o encontro amoroso de um ioiô, de “rebolado antiquado”, com uma iaiá enviuvada, de “requebrado desengonçado”. A valsa “Acalanto”, que coloca sua voz em uníssono com Lívia Nestrovski, fecha o álbum com um afago poético que anuncia um tempo vindouro de relações mais puras: “Planta um amanhã / cheio de esperança / feito de amor e amizade e fim”. 

Além das duas cantoras ligadas ao universo da MPB, duas outras vozes emblemáticas do samba nacional dividem a interpretação de faixas com Paulo Vitor. O carioca Alfredo del Penho participa de “Tempo da Delicadeza” (composição de Poloni com outro carioca, Breno Góis), canção que também anuncia a esperança de um momento de superação do luto e da morte – como no intertexto com Chico Buarque – para a plenitude de uma hora encantada, em que cantaremos e “brindaremos o ideal”. Moyseis Marques, do Rio de Janeiro, empresta a voz ao partido alto amoroso “Se não for você” – canção feita a muitas mãos por Poloni com os músicos mineiros Marina Cabizuca, Lucas Fainblat e Fábio Junior Caetano. Completa a parceria nas composições “Frevo”, dividida com Bruno Góis, que suscita a sonoridade e a ambiência das ruas pernambucanas, brincando com a aceleração do ritmo no compasso de um coração apaixonado.

Foto: Ber Sardi/ Divulgação

Trânsitos artísticos – Para Paulo Vitor Poloni, estes encontros musicais são reflexo dos últimos anos, em que se dedicou a trazer parceiros e amigos da cena brasileira para Londrina por diferentes projetos. “Muita gente já passou por aqui e eu fiquei com vontade que um pedacinho dessas pessoas estivesse neste meu trabalho. Eu sinto que é uma consolidação desse momento da minha trajetória, fruto disso que eu tenho construído com as minhas composições, com os músicos londrinenses e da relação com esses artistas nacionais”. 

Além das oito faixas autorais, todas inéditas, “Cantando o meu Brasil” traz duas criações de outros compositores: a marcha “Rancho das Borboletas”, de Miguel Rabello e Paulo César Pinheiro, já gravada com sucesso pelo primeiro, e “Papel Carbono”, balada de amor inédita de Breno Ruiz e Paulo César Pinheiro. “Eu me sinto sempre mais intérprete do que compositor. Eu tenho um prazer enorme em cantar um repertório que não seja meu. E acho que cantar outras coisas ajuda a localizar a minha obra, dialoga com o que componho”, opinou. No show de lançamento do disco, que acontece dia 8 de agosto, às 17h30, na Concha Acústica, ele concretiza ainda mais este desejo ao costurar ao repertório lançado conhecidas canções “para o público cantar junto”, de Chico Buarque, Dorival Caymmi e de outros autores de sambas eternos. 

Com relação à base instrumental, o novo álbum é conduzido pelo violão de Gustavo Gorla, com arranjos de Guilherme Villela. Traz ainda Gabriel Zara no baixo, Bruno Cotrim na bateria, o próprio Villela no bandolim e cavaquinho, Fabrício Martins no piano, Nyolas Horn na percussão, Carlos Pereira na cuíca, Miguel Santos na sanfona, Júlio Erthal nos sopros, Fernanda Monteiro no cello e as vozes de Natália Poloni, Marcelle Terra e Rodolfo Rainer nos coros. As gravações foram feitas no estúdio Nosso Canto, com produção de áudio de Fabrício Martins.  A direção de produção é de Thalita Alcântara. 

Texto: Assessoria de Imprensa – Renato Forin Jr.  

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