Espetáculo teatral “Retalhos de Memória” tem sessões na DAC de sexta a domingo
Roupas, objetos e retalhos ganham valor sentimental na peça que destaca a importância do figurino para a construção de uma cena; sessões ocorrem nos dias 21, 22 e 23 de agosto
Enquanto para alguns o figurino de um espetáculo é o último a ser finalizado, neste, ele é o que move a apresentação. A peça teatral “Retalhos de Memória”, destaca como um figurino pode ser mais do que uma simples característica visual, mas um participante ativo de todo o processo criativo, entrelaçando isto com a relação entre memórias afetivas e itens que guardamos ao longo da vida, como as peças de roupa. O espetáculo, patrocinado pelo Programa de Incentivo à Cultura de Londrina (Promic) chega à Divisão de Artes Cênicas (DAC), nos dias 21, 22 e 23 de agosto, às 20h, com entrada gratuita.
O roteiro apresenta uma criatura de outra dimensão, que vive em meio a objetos, tecidos e roupas esquecidas, na interpretação da atriz Ozzie Quadros. Durante a peça, a criatura costura os elementos em busca das memórias atreladas a cada um dos itens, na tentativa de unir todos os fragmentos até criar algo maior. Ao mesmo tempo, percebe que cada pedaço ali presente é precioso para ela.
A vestimenta ganha importância, por meio da encenação, que convida o público para uma imersão nas histórias costuradas por cada retalho. Quadros pontuou como o contexto do espetáculo exerceu um impacto profundo sobre si, fazendo com que mergulhasse em suas próprias lembranças.
“Tem sido uma das atuações mais complexas, considerando o subtexto da criatura que é quase mitológica. O processo começou também comigo, ficando cara a cara com minhas memórias: a Ozzie criança, a Ozzie adolescente, a Ozzie jovem adulta. Isso dialogou com a criação cênica de forma que eu entendesse como a criatura se relaciona com essas memórias. Que tem uma diferença ali, sabe, de memória para memória, no corpo, na voz e na ação”, destacou.
Da universidade para os palcos

A criação desta apresentação teve início por meio de um trabalho de conclusão de curso (TCC) no curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O diretor Deivid Quadros, ainda graduando na época, iniciou o projeto com pesquisas a partir do figurino utilizado nos espetáculos, e como ele se relaciona com os passos, com os elementos da peça e com a vida de cada cena.
“O projeto partiu disso, de analisar de que forma conseguimos fazer com que o figurino comece junto com a experimentação, junto com o pensar e fazer cênico, para que ele não seja a última coisa a ser pensada, para que ele não venha só depois, para que ele não seja colocado em cena só um mês antes da estreia”, afirmou.
Durante o processo, Quadros iniciou algumas experimentações práticas e o espetáculo foi sendo estruturado. Agora, com o apoio do Programa de Incentivo à Cultura (Promic), o diretor convida a comunidade para refletir sobre a temática do figurino e ainda, a respeito dos itens que deixamos guardados, e como eles podem funcionar como dispositivos disparadores de lembranças.
Oficinas
Além do espetáculo, o projeto “Retalhos de Memória”, promoverá duas oficinas, previstas para o último trimestre do ano. A primeira, “Figurino e Memória”, será um convite para que as pessoas interessadas criem um figurino a partir de peças que elas guardam devido suas memórias afetivas, uma experimentação com as vestimentas e como elas podem servir como subsídio para a criação de trajes de cena.
A segunda oficina, “A criatura de si”, é de dança e expressão corporal: os participantes terão a possibilidade de brincar com o corpo, como um objeto cheio de memórias que vai para a cena por meio dos movimentos. Uma experimentação prática para o desenvolvimento de uma corporeidade cênica.
A abertura das inscrições e mais informações serão divulgadas no próximo mês, pelo perfil do projeto na rede social Instagram: @retalhos.de.memoria.
Serviço – Retalhos de Memória
Sessões: 21/08, 22/08 e 23/08, às 20h
Local: Divisão de Artes Cênicas – Casa de Cultura UEL (Av. Celso Garcia Cid, 205 – Centro)
Entrada gratuita, no local
Classificação indicativa: 16 anos
Texto: Rhayssa Fernandes, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




