Combate à dengue concentra esforços em Paiquerê e segue na região urbana de Londrina
Atuação no distrito foca em vistorias, limpezas e orientações aos moradores; forças-tarefas mais recentes da Prefeitura somam aproximadamente 8 mil imóveis vistoriados
Depois de atender cerca de 6 mil imóveis vistoriados na área central de Londrina, em uma ação estratégica que durou duas semanas, mobilizando trabalhos de prevenção e combate ao Aedes aegypti, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) agora está finalizando uma operação intensificada no distrito de Paiquerê. Iniciada na última segunda-feira (28), esta mobilização segue os mesmos moldes da etapa anterior e tem previsão para ser concluída hoje (2). E também continuam as atividades regulares de visitas a domicílios na parte urbana do município, alcançando todas as regiões e visando evitar a proliferação da dengue.
As equipes de Endemias percorrem o distrito promovendo a limpeza das áreas interna e externa dos imóveis, para eliminar possíveis criadouros e remover materiais que possam acumular água e servir de ambiente para a reprodução do mosquito vetor da dengue. Drones e armadilhas ovitrampas são ferramentas de apoio em utilização. Os agentes aproveitam para orientar os moradores, comerciantes e trabalhadores quanto aos cuidados básicos preventivos. No total, a força-tarefa deve atingir aproximadamente 2 mil imóveis contemplados.
No período de chuvas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) aproveita para intensificar tanto as atuações em campo quanto as interações educativas com diferentes públicos, tendo como finalidade ampliar o alcance das informações e conscientizar o maior número de pessoas.

De acordo com o gerente de Vigilância Ambiental da SMS, Nino Ribas, a escolha do distrito foi resultado da análise técnica realizada pelo setor, considerando os indicadores epidemiológicos e entomológicos, as características do território, os registros identificados na região e a necessidade de intensificar preventivamente as ações de controle do Aedes aegypti. “A estratégia do município é direcionar o trabalho de campo para os territórios que apresentam indicadores que justifiquem uma intervenção mais concentrada, permitindo uma resposta mais rápida e efetiva”, considerou.
A depender do cenário apontado pela avaliação diária da equipe técnica e o monitoramento rigoroso dos indicadores epidemiológicos, novas ações neste mesmo formato poderão ser empenhadas em outras regiões da cidade que apresentem alerta ou elevação de risco.
Quase 6 mil imóveis verificados na área central – Finalizados na última segunda-feira (28), os trabalhos da força-tarefa no Centro tiveram resultado significativo, segundo a Vigilância Ambiental. A avaliação positiva, citou Nino Ribas, se deve ao alcance de 5.847 imóveis vistoriados, promovendo ampla cobertura. Foram identificados 113 focos do mosquito e 1.740 imóveis estavam fechados durante as visitas, totalizando 29,76% das vistorias.
“Tivemos alta capacidade de identificação e eliminação de possíveis criadouros do Aedes aegypti. O planejamento inicial precisou ser readequado em razão das chuvas registradas durante as operações. As condições climáticas dificultaram o acesso e a vistoria de áreas externas e também aumentaram a quantidade de recipientes com possibilidade de acúmulo de água. Por isso, a ação foi prorrogada. Mesmo com o cronograma ajustado, conseguimos avançar na cobertura prevista. O resultado reforça a importância de ações concentradas e baseadas em análise técnica do território, especialmente após períodos de chuva”, analisou.

Período de chuvas e força da participação cidadã – A Vigilância Ambiental orienta o público para que a atenção seja reforçada durante a ocorrência de maior volume de chuvas, com tendência a se intensificar na região por conta da influência do fenômeno El Niño. Essa combinação de fatores exige alerta máximo, conforme indicou o gerente Nino Ribas, ao frisar que calor aliado a chuvas frequentes acelera drasticamente o ciclo de vida do Aedes aegypti, do ovo ao mosquito adulto em tempo recorde, potencializando o risco de aumento nos casos de arboviroses (dengue, zika e chikungunya).
Segundo ele, por mais que a Prefeitura esteja com as equipes nas ruas, realizando vistorias em massa na região central, nos distritos como Paiquerê, monitorando pontos estratégicos e utilizando tecnologia como drones e armadilhas, o poder público não consegue entrar em todas as residências o tempo todo. Além disso, os estudos permanentes comprovam que a maior parte dos criadouros do Aedes estão dentro dos domicílios e quintais, em pratos de vasos, calhas entupidas, ralos, recipientes plásticos, lonas e reservatórios mal tampados. “Assim, nosso pedido é para todos contribuírem como puderem, cuidando de suas casas e permitindo a entrada das equipes de Endemias sempre que possível”, enfatizou Ribas.
Nesse contexto, uma rotina básica de poucos minutos pode ajudar a salvar vidas. A Vigilância lembra que dedicar alguns minutos por semana para verificar se há água acumulada é a barreira mais eficiente de proteção para a família e para a vizinhança. “Trata-se de responsabilidade coletiva. Em um período chuvoso, um único quintal com recipiente esquecido pode infestar uma quadra inteira, colocando em risco idosos, crianças e trabalhadores que circulam pela cidade”, alertou o gerente.

Ações permanentes em Londrina – Paralelamente às ações estratégicas feitas de forma direcionada, todas as regiões da cidade seguem sendo atendidas com o cronograma de visitas a atividades rotineiras. Este conjunto integra uso de tecnologias como drones para circulação aérea de inspeção sobre pontos de difícil acesso visual e físico, como telhados elevados, calhas de grandes armazéns, imóveis abandonados e quintais murados cujos moradores estejam ausentes.
Outras ferramentas são as armadilhas ovitrampas para monitoramento contínuo da densidade vetorial com instrumentos que capturam os ovos depositados pelas fêmeas do Aedes, permitindo antecipar áreas de maior reprodução do mosquito. Ainda há o emprego de fiscalização em pontos estratégicos com alvos prioritários de alto risco, entre ferros-velhos e estabelecimentos de comércio de sucata, cooperativas e centrais de reciclagem de materiais, terrenos baldios, áreas públicas e pontos com histórico de descarte irregular de objetos e resíduos inservíveis.
Números da dengue – O boletim divulgado ontem (1º) pela Secretaria Municipal de Saúde aponta, desde o início do ano até o momento, 11.821 notificações relacionadas à dengue em 2026. Deste total, 1.313 são casos confirmados e 10.108 descartados, além de outros 400 que estão em análise. Foram dois óbitos registrados.




