Londrina reorganiza rede municipal de saúde para melhorar o atendimento à população
Com apoio técnico do Hospital Israelita Albert Einstein, PlanificaSUS analisa indicadores, identifica desafios e traça estratégias para aprimorar o percurso do paciente, das UBSs aos serviços especializados e hospitalares

A Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), iniciou uma nova etapa de trabalho para reorganizar e fortalecer a rede pública de saúde do município. O objetivo é aprimorar o funcionamento dos diferentes serviços, garantindo maior continuidade da assistência e um atendimento cada vez mais organizado e resolutivo para a população.
Na prática, o trabalho busca melhorar o percurso do paciente dentro do SUS: desde a entrada pela Unidade Básica de Saúde (UBS), passando por consultas, exames e atendimentos especializados, até a assistência hospitalar, quando necessária. A proposta é identificar os principais desafios desse caminho, aperfeiçoar processos e fortalecer a comunicação entre os serviços para que o cidadão tenha continuidade no seu atendimento.
Como parte desse processo, a Secretaria Municipal de Saúde realizou nesta quarta-feira (7) a Oficina do PlanificaSUS, reunindo diretores, assessores e equipes técnicas da pasta, além de especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein. O encontro ocorreu no auditório do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
A oficina teve como ponto de partida o Diagnóstico Situacional da Rede de Atenção à Saúde de Londrina, que reúne informações sobre o perfil da população, indicadores epidemiológicos, Atenção Primária, atendimento especializado, rede hospitalar, regulação, governança e a relação entre os diferentes serviços.
Mais do que analisar números, a proposta visa transformar os dados em decisões e ações concretas. A partir do diagnóstico, as equipes puderam reconhecer os avanços já alcançados, identificar os principais desafios e estabelecer prioridades para qualificar a assistência à população.
A participação de Londrina no projeto ocorreu a convite da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), fortalecendo a articulação entre Estado e Município na qualificação da Rede de Atenção à Saúde. A Secretaria de Estado esteve representada na oficina pela diretora da 17ª Regional de Saúde, a enfermeira Maria Lúcia da Silva Lopes, reforçando a importância da atuação conjunta entre as diferentes esferas do SUS para o planejamento e aprimoramento da assistência.
Participaram também representantes do Hospital Israelita Albert Einstein, entre eles o pediatra Marco Antônio Bragança de Matos, membro da equipe de análises do Einstein e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), e a especialista em projetos Senara Rodrigues.
Segundo Rodrigues, a planificação busca aprimorar a organização dos serviços a partir da integração dos diferentes níveis de atenção. “Precisamos conversar sobre a planificação da saúde no SUS, que é uma proposta de organização das Redes de Atenção à Saúde, com foco na Atenção Primária e na integração com a Atenção Especializada. Para isso, é fundamental o engajamento das equipes, pensando sempre em como oferecer um cuidado cada vez melhor à saúde da população”, afirmou.
Marco Antônio destacou que a participação do Hospital Israelita Albert Einstein no PlanificaSUS em Londrina tem como missão apoiar a Secretaria Municipal de Saúde no aprimoramento contínuo da organização da rede e, consequentemente, da qualidade da assistência oferecida à população. “Pelo que pudemos observar, os profissionais da Secretaria de Saúde presentes estão muito conscientes dos desafios e do papel de cada um nesse processo. São equipes disponíveis, interessadas e comprometidas em promover melhorias constantes no funcionamento da rede. A contribuição do Einstein é justamente apoiar o aprimoramento dos processos e proporcionar uma integração cada vez maior entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde”, enfatizou.

A secretária municipal de Saúde, Vivian Feijó, foi representada pela diretora da pasta, Rita de Cássia Domansky, que reforçou a importância do processo para o planejamento da saúde do município.
“O diagnóstico nos permite olhar para a saúde de Londrina como um todo, entender como os serviços estão organizados, reconhecer nossos avanços e identificar onde precisamos melhorar. A partir disso, conseguimos estabelecer prioridades e construir estratégias para que os diferentes pontos da rede funcionem de maneira cada vez mais articulada, garantindo continuidade e qualidade na assistência à população”, afirmou Domansky.
Mortalidade infantil
Entre os indicadores analisados, um dos destaques foi a evolução da mortalidade infantil em Londrina. Em 2025, o município registrou 11,25 óbitos de crianças menores de um ano para cada mil nascidos vivos, índice que já está abaixo da meta pactuada para 2026, de 11,5 por mil nascidos vivos. No Paraná, o indicador registrado em 2025 foi de 10,9 por mil.
Os indicadores materno-infantis também mostram que 86% das gestantes consideradas no levantamento realizaram mais de sete consultas de pré-natal, enquanto 14% fizeram menos de sete consultas. O acompanhamento adequado durante a gestação é uma das estratégias fundamentais para a proteção da saúde da mãe e do bebê.
Rede de atendimento

Com população estimada em 584.465 habitantes para 2026, Londrina possui uma ampla estrutura de saúde que atende os moradores do município e, em determinados níveis, pacientes de outras cidades da região.
O envelhecimento populacional aparece entre os desafios para o planejamento dos próximos anos: 18% dos moradores têm 60 anos ou mais, cenário que exige preparação dos serviços e fortalecimento do acompanhamento das condições crônicas.
Na Atenção Primária, Londrina possui 54 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), sendo 42 urbanas e 12 rurais, distribuídas por todas as regiões da cidade. O diagnóstico registra cobertura assistencial da Atenção Primária de 60%.
A estrutura municipal e contratualizada compreende ainda atendimento ambulatorial especializado, urgência e emergência, saúde mental, reabilitação e apoio diagnóstico. Na atenção hospitalar, Londrina conta com a Maternidade Municipal Lucilla Ballalai e com serviços estaduais, filantrópicos e contratualizados de média e alta complexidade, exercendo papel de referência para a macrorregião norte do estado.
Outro dado relevante é o acompanhamento das condições crônicas. O levantamento registra 84.683 pessoas com hipertensão e 39.627 com diabetes, números que reforçam a importância das UBSs na prevenção, no acompanhamento contínuo e na coordenação da assistência.
Do diagnóstico à melhoria do atendimento

Um dos principais objetivos do PlanificaSUS é fazer com que os diferentes pontos de atendimento funcionem de maneira articulada e que o paciente tenha continuidade na assistência.
Atualmente, quando um usuário necessita de consulta ou exame especializado, o encaminhamento realizado pela Atenção Primária passa pelo sistema municipal de regulação Saúde Web. Enquanto esse usuário aguarda o atendimento especializado, a UBS permanece como referência para seu acompanhamento.
O município utiliza ainda ferramentas como prontuário eletrônico, protocolos assistenciais, Projeto Terapêutico Singular (PTS), planos de cuidado e processos de referência e contrarreferência para favorecer a comunicação entre as equipes e a continuidade da assistência.
A partir do diagnóstico e das discussões realizadas na oficina, a Secretaria Municipal de Saúde dará continuidade à definição das prioridades e das estratégias para a reorganização dos serviços.
A meta é transformar planejamento em resultado para quem utiliza o SUS: serviços mais organizados, melhor comunicação entre as equipes, continuidade do acompanhamento e um percurso mais claro e eficiente para o paciente, da Unidade Básica de Saúde aos atendimentos especializados e hospitalares.




