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Londrina reúne homens pelo fim da violência contra a mulher

Prefeitura lançou o calendário de atividades da Campanha Mundial do Laço Branco 2019 e apresentou parceria com as entidades religiosas

Com o objetivo sensibilizar e envolver os homens pelo fim da violência contra a mulher, a Prefeitura de Londrina lançou nesta sexta-feira (6), às 9h30, o Calendário Municipal da Campanha do Laço Branco 2019 e mais uma parceria do “Programa Juntas Somos Mais”, agora com os integrantes dos espaços religiosos de todas as crenças.

Na oportunidade, o prefeito Marcelo Belinati assinou o termo de adesão às ações da campanha e explicou que, desde o início de sua gestão, tem investido em parcerias e na estruturação da rede de proteção às mulheres vítimas de violência, sendo que sua intenção é ampliar ainda mais os serviços ofertados para as mulheres. “É o poder público atuando junto com a sociedade, envolvendo as entidades e as instituições, levando palestras sobre o tema, para que a gente busque chegar até lá no bairro e por toda a cidade de Londrina, mostrando que existe um problema e o que queremos é a solução”, disse.

A temática será “Homens pelo Fim do Feminicídio”, que é o assassinato de mulheres motivado pela violência doméstica ou discriminação de gênero. Para isso, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres conta com a parceria do Coletivo Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), que passará um abaixo-assinado para os homens que participarem dos debates. A expectativa é que eles assinem e se comprometam a não praticar atos de violência contra mulher e não sejam omissos diante daqueles que os praticarem.

O objetivo da SMPM é realizar diversas palestras, rodas de conversa, encontros e eventos que falem sobre o assunto diretamente com o público masculino, ajudando-o a entender mais sobre o assunto, sua gravidade, as formas de prevenir e de combater a violência e os direitos das mulheres e das meninas. Além disso, a Prefeitura espera mobilizar outras entidades públicas e privadas para a realização de capacitações e encontros informativos para os homens de diversos segmentos.

Foto: Vivian Honorato

“Durante os próximos meses, pretendemos realizar cursos, palestras, oficinas e conversas com os homens sobre a violência contra a mulher, a masculinidade tóxica, e como os comportamentos inadequados podem gerar violência não apenas física, mas tantas outras, como a violência moral e psicológica, por exemplo. A intenção é fazê-los pensar sobre o assunto e conscientizá-los a respeito do que é considerado violência, para que o ciclo de agressão acabe”, explicou a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Nádia Oliveira de Moura.

Ações – Para isso, nos meses de setembro, outubro e novembro, a Secretaria de Recursos Humanos e a SMPM farão uma capacitação para os servidores públicos municipais do sexo masculino. Serão dois encontros por mês, sendo um pela manhã e outro à tarde, no auditório da Prefeitura e também no local de trabalho onde haja grande concentração de homens.

Serão apresentadas informações sobre a Lei Maria da Penha, as medidas protetivas, os serviços de prevenção e apoio às vítimas de violência, as ações e políticas disponíveis em Londrina pela rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar e as maneiras com quais os homens podem ajudar denunciando os casos de violência.

As entidades públicas e privadas que quiserem firmar parceria com o Município para levarem o assunto para dentro de empresas, instituições, Organizações Não Governamentais ou setores públicos, devem entrar em contato com a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, pelo (43) 3378-0119, de segunda a sexta-feira.

Divulgação

Marco histórico da campanha – A Campanha do Laço Branco é mundialmente conhecida como White Ribbon Campaign. Seu marco histórico é o dia 6 de dezembro de 1989. Nesta data, um homem invadiu a Escola Politécnica de Montreal, no Canadá, expulsou todos do sexo masculino e atirou contra as mulheres que estudavam no local. Ele assassinou 14 delas à queima roupa, por ser contra mulheres estudarem engenharia.

Devido este fato, desde 1991, os homens do mundo todo começaram a usar fitas brancas como garantia de nunca cometer ou permanecer calado sobre a violência contra mulheres e meninas. Assim, surgiu a Campanha do Laço Branco, que atualmente busca conscientizar os homens de 150 países diferentes sobre seu papel na sociedade e no auxílio ao combate às diversas formas de violência contra as mulheres, sejam elas física, psicológica, moral, financeira, sexual ou outra.

No Brasil, a campanha vem sendo realizada desde 2001 e está inserida nos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. Em Londrina, a primeira edição aconteceu em 2002 e, desde então, vem sendo realizada no município. Nos últimos meses, por exemplo, 530 homens que trabalham na construção civil já passaram pelo projeto.

Nova Parceria do Juntas Somos Mais – Além da Campanha do Laço Branco, o prefeito Marcelo Belinati e Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, por meio do Programa Juntas Somos Mais, anunciaram um novo trabalho envolvendo espaços religiosos de todas as crenças. A intenção é aproveitar os encontros religiosos para conversar com o público que frequenta os templos e os espaços para os cultos ecumênicos. Para isso, será necessário o agendamento prévio do horário da visita e a autorização dos organizadores religiosos, para que as equipes da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres compareçam no local indicado.

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A teóloga e líder cristã, Mônica Carvalho Costa, acredita que, muitas vezes, a igreja não sabe lidar com a questão da violência contra a mulher, que também acontece no âmbito religioso, apesar de a práxis cristã ser contra todo o tipo de violência. Por isso, a campanha vem trazer informação, sensibilização e ferramentas paras os grupos de apoio e aos líderes religiosos, e pretende ser um instrumento de prevenção à violência.

“Toda a igreja que deseja ser relevante na sua comunidade não pode fechar os olhos e nem as portas para esse tema. A violência contra a mulher é um fato e uma epidemia que atinge todas as classes sociais, idades e raças e a vítima também sofre com os paradigmas da religião, com a completa e ausência de direcionamento de seus guias religiosos. Não pretendemos discutir as doutrinas ou os dogmas da religião, mas sim ser um suporte aos programas de apoio às mulheres”, acredita Mônica.

Para a representante do coletivo EIG, a  reverenda, Selma Rosa, é importante realizar ações como essa do programa Juntas Somos Mais, principalmente, porque as mulheres têm sido colocadas em lugar de silêncio e submissão durante o decorrer da história e o programa visa justamente falar sobre o assunto com os homens. “Nós precisamos da ajuda dos homens, pastores, amigos e dos representantes públicos, para que as mulheres possam sair do silêncio que foram impostas historicamente. Essa campanha está chamando para junto de si aqueles que foram, durante muito tempo, os agressores. Temos fé que os líderes religiosos farão a parte que lhes cabe, seguindo o grande exemplo daquilo que é ser homem, mostrado por Cristo”, disse.

Além disso, para a secretária de Políticas para as Mulheres é provável que existam pessoas que não utilizam os serviços da rede pública municipal, mas que exercitam seu direito à liberdade religiosa dentro de sua comunidade e que poderiam aprender mais sobre o tema prevenção e enfrentamento a todas as formas de violência contra as mulheres. “Temos observado que as pessoas não conhecem os serviços ofertados na rede municipal, tanto sobre a prevenção, os cursos, o aperfeiçoamento profissional, quanto os canais de enfrentamento e denúncia à violência. Independente de religião, vamos até as entidades religiosas para levar essas informações”, disse Nádia.

Foto: Vivian Honorato

Números– De acordo com dados da Patrulha Maria da Penha, da Guarda Municipal de Londrina, desde o dia primeiro de janeiro deste ano até o momento, 476 ocorrências de mulheres vítimas de violência já foram atendidas pelos guardas municipais. Destas, 160 mulheres já tinham medidas protetivas para se protegerem contra os agressores e, em 46 casos, ele foi preso em flagrante. Além disso, 91 ocorrências de violência foram realizadas para mulheres que não tinham medida protetiva e em 20 delas foi possível prender o agressor no momento do ato violento. Atualmente, 3.700 mulheres contam com medidas protetivas em Londrina.

Para a delegada da Mulher de Londrina, Magda Hofstaetter, a intenção é chamar os homens para integrar a rede de prevenção às vítimas de violência doméstica, visto que ela é fruto de um ciclo de outras agressões que a mulher sofre ao longo dos anos e, na maioria das vezes, silencia a respeito. “Em Londrina, não temos números tão elevados de feminicídio, se comparado a outros estados, acredito que seja graças às campanhas de prevenção que são realizadas aqui. Cada vez mais, as mulheres vêm procurando a Delegacia para registrar ameaças e agressões antes que cheguem ao feminicídio”.

Para a Imprensa: outras informações podem ser obtidas com a secretária Nádia Oliveira de Moura, pelo 3378-0114.

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Ana Paula Hedler

Gestora de Comunicação, especialista em Comunicação com o Mercado e Mestre em Ciência Política

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