Secretaria de Saúde implanta PITs na zona rural
Postos de Informações de Triatomíneos vão ajudar na prevenção e no diagnóstico rápido da doença de Chagas; cidade apresenta baixa incidência de bichos barbeiros
O setor de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, atento às metodologias implantadas pelo Ministério da Saúde, quanto à prevenção da doença de Chagas em municípios de baixa incidência do inseto transmissor, está implantando, nos postos de saúde da zona rural da cidade, os PITs- Postos de Informações de Triatomíneos. A única exceção é o povoado Barro Preto, onde o PIT será fixado na venda Barro Preto.
Em cada um dos 13 PITs, há um profissional da saúde treinado para pré-identificar os vetores encontrados pelos moradores e encaminhá-los ao setor de endemias. Segundo o coordenador de Endemias, Elson Belisário, estes postos servirão para a vigilância passiva dos domicílios da zona rural onde, anteriormente, os agentes de saúde faziam vistorias regulares em todas as casas.
Belisário explicou que a iniciativa foi implantada na cidade porque, devido ao baixo índice de insetos localizados, é possível controlar a infestação com a ajuda da população. “Os agentes continuarão a visitar as áreas, mas apenas para a vistoria de casas desabitadas, onde continuamos a fazer a aplicação de inseticidas e a captura dos insetos para análise”, informou.
Segundo o coordenador, é muito importante o trabalho de divulgação e conscientização sobre a doença e as formas de prevenção, pois a doença de Chagas é bastante comum nas áreas rurais. “Se não descoberta a tempo, a doença de Chagas geralmente é fatal. Como os sintomas iniciais são sutis, as pessoas acabam só procurando ajuda médica, quando o caso se torna crônico”, alertou Belisário.
O coordenador também explicou que os insetos que forem encontrados, serão encaminhados aos laboratórios, para que sejam examinados e, caso estejam infectados, a família moradora da residência passará por exames sorológicos que determinarão se foram infectados ou não. “As áreas de maior risco em Londrina, hoje, são os distritos de Guaravera e da Warta, onde foram encontrados insetos contaminados com a doença, mas a atenção está sendo dada a todas as comunidades rurais”, informou.
Cuidados
Segundo dados do setor de Endemias, foram encontrados 43 bichos barbeiros nos últimos seis anos na zona rural de Londrina, destes, apenas três estavam contaminados. “Além disso, a espécie encontrada em Londrina é a Panstrongylus megistus, uma espécie silvestre, que evita a proximidade com os seres humanos, mas que, quando privado da presença de animais, também, se alimenta de sangue humano”, enfatizou Belisário.
Os primeiros sintomas da doença podem nunca aparecer ou serem bastante sutis, como inchaço leve na região dos olhos, vermelhidão no local da picada e febre. “Se diagnosticada nas primeiras 12 semanas, a doença tem cura. Mas, para descobrir o contágio, é preciso encontrar o inseto, por isso, é preciso estar sempre atento aos locais onde ele pode se esconder”, lembrou.
Belisário também informou que nem todos os insetos da espécie são contaminados pela doença. Eles se contaminam, quando se alimentam do sangue de uma pessoa que tenha a doença. “Geralmente, pode-se encontrar o magistus entre madeiras amontoadas em locais escuros, em ninhos de animais e aves, em casas abandonadas, galinheiros e chiqueiros, mas eles podem migrar para dentro das casas, onde podemos encontrá-los embaixo das camas”, contou.
Além da aplicação de inseticida, Belisário enumerou alguns cuidados para evitar que o bicho barbeiro se fixe nas proximidades das moradias rurais. “Evitar o acúmulo de madeira nas proximidades das residências, fazer a manutenção de ninhos das aves e de chiqueiros”, ensinou o coordenador.
Todas as casas vazias da zona rural já são monitoradas pelo setor de Endemias, no entanto, caso haja alguma nas proximidades que não esteja ainda sendo monitorada pelos agentes de saúde, os moradores da zona rural podem avisar aos PITs. “Como existem vários insetos parecidos com o barbeiro, na dúvida, é importante encaminhá-lo ao PIT, onde haverá um profissional capacitado para a identificação”, concluiu Belisário.