Cidadão

Projeto londrinense dá voz e visibilidade a mulheres atuantes na área cultural

Iniciativa "Como Elas Fazem" conta com patrocínio do Promic, articulando representantes de diversas frentes; podcast do projeto estreou hoje (7), e ainda há um banco digital de currículos permanente

Foi lançado oficialmente nesta segunda-feira (7) o projeto Como Elas Fazem, que tem como finalidade criar uma rede de articulação para mapear e impulsionar mulheres trabalhadoras da cultura em Londrina. A primeira ação desta iniciativa é um podcast, já disponível para acesso em plataformas virtuais, reunindo entrevistas com cinco profissionais da cidade, atuantes em diferentes segmentos. Nos encontros, elas detalham sobre como trabalham em suas áreas, oferecendo aos ouvintes conteúdos referentes aos saberes e fazeres da gestão cultural.

Este programa é conduzido pela produtora cultural Marina Bigardi, idealizadora do projeto e entrevistadora da série de episódios do podcast. A iniciativa é patrocinada pela Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

Em cada transmissão, a convidada da vez tem a oportunidade de compartilhar suas experiências práticas e teóricas no universo da produção cultural. E, além dos debates em torno de como elas atuam, ainda são colocadas em pauta questões ligadas aos desafios e enfrentamentos de gênero no exercício da profissão, incluindo dicas para que mais mulheres possam ingressar na atividade cultural.

Com essa proposta, o podcast traz como protagonistas produtoras envolvidas com diferentes linguagens artísticas. São elas Ana Karina Barbieri (teatro e música); Claudia Silva (cultura popular e tradicional); Danieli Pereira (dança e teatro); Fran Camilo (audiovisual); e Thalita Deldotti (música). O público pode conferir o podcast pelo Spotify, YouTube e Google Podcast.

O projeto Como Elas Fazem busca incentivar os debates acerca da inclusão de mulheres nos trabalhos culturais, especialmente quanto a funções de liderança. Assim, este canal propicia o intercâmbio de informações, o estímulo ao fortalecimento das mulheres no âmbito cultural e a inserção de mais pessoas interessadas em atuar na cultura local.

Uma das grandes novidades trazidas pelo projeto é a criação de um banco de currículos para mapear as trabalhadoras da cidade, levantando dados por meio de um formulário on-line. Essas informações serão repassadas às coordenações de festivais, casas de cultura, ONGs, agências de eventos, projetos e institutos da cidade (leia mais abaixo).

Foto: Divulgação

A realizadora do projeto, Marina Bigardi, informou que a intenção é ampliar o projeto para outras frentes de articulação, com foco na formação teórica e prática, abrindo novas formas de divulgação. “A partir do banco de currículos, queremos oportunizar a entrada de novas mulheres e favorecer aquelas que já atuam na cultura. Além do podcast, que poderá ter novas edições com outras entrevistadas, o objetivo é distribuir conteúdos de outras formas para ampliar o alcance e dar mais visibilidade às trabalhadoras locais. Podemos, por exemplo, ter episódios do podcast com temas mais fechados, tratando especificamente de iluminação, sonorização, maquiagem ou figurino, entre outras linguagens. Mas a ideia é também ampliar as abordagens com outras formas de atividades e mapeamentos, fortalecendo o projeto e seus desdobramentos”, contou.

Sobre o lançamento do podcast, Bigardi enfatizou que tratar de diferentes segmentos, dando voz às suas representantes, é uma forma de valorizar a produção cultural londrinense. “Apresentamos nesse momento cinco entrevistas com mulheres que possuem relevância no cenário local, conforme seus segmentos de atuação. Há ainda, é claro, inúmeras outras excelentes e competentes profissionais na cidade, muito potentes em suas funções, que merecem espaço e destaque. A cultura abre diversas possibilidades e o projeto tem este caráter de abrir novas oportunidades, buscando agregar forças e estimular essa rede articulada de ações. O apoio do Promic é essencial para a realização do projeto, iniciando com patrocínio desta primeira atividade do podcast, sendo uma ferramenta de grande importância para o financiamento do setor em Londrina”, acrescentou.

Ainda segundo a produtora cultural, este projeto surgiu a partir de suas próprias experiências, vivências e observações no cotidiano de trabalho na cultura, bem como leva em conta a articulação com outras profissionais de Londrina. “É notória a escassez de mulheres nas posições de liderança do mercado cultural. Existem outros projetos importantes com este cunho de articulação, impulsionamento e união entre as mulheres e, a partir disso, e de diálogos com muitas mulheres, surgiu essa ideia do projeto. Queremos possibilitar ações formativas, e eu e outras mulheres temos ainda um sonho de desenvolver, em algum momento, um festival produzido exclusivamente por mulheres, a fim de mostrar uma configuração nova no mercado, estruturada com a força e potencial dessas profissionais”, afirmou.

Banco de currículos – Com o intuito de criar novas oportunidades e ampliar a visibilidade das mulheres que trabalham nas áreas ligadas à cultura, o projeto Como Elas Fazem abriu um formulário virtual para mapear essas pessoas em Londrina. Para além da atuação ou interesse em trabalhar como produtora, o formulário também é direcionado às demais áreas técnicas da cultura: iluminação, cenografia, fotografia, contabilidade, assessoria de imprensa, assessoria jurídica, entre outros campos, ligados a qualquer linguagem artística.

Este formulário não visa compor um banco de artistas (musicistas, atrizes, artistas visuais e outros), mas sim formar um banco de informações técnicas da cultura para estimular o ingresso em projetos, festivais e atividades culturais. As respostas serão disponibilizadas às coordenações de festivais, casas de cultura, ONGs, agências de eventos, projetos e institutos da cidade. No perfil de Instagram do projeto, @comoelasfazem, é possível acessar o formulário para cadastramento de currículo e outros conteúdos de apoio na área, como oficinas e materiais de estudos.

A produtora cultural Marina Bigardi disse que o projeto, mesmo em fase inicial, já demonstra resultados positivos, com muitas mulheres interessadas. “É possível notar que há muita gente se sentindo inspirada para fazer um currículo apropriado, voltado a essa oportunidade específica de fazer parte do banco de currículos. O projeto continuará recebendo os currículos de forma permanente. Dezenas de mulheres já enviaram suas informações e a expectativa é que tenhamos, mais à frente, uma quantidade expressiva de pessoas cadastradas”, adiantou.

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