Conselho dos Direitos da Mulher divulga marcha pela conscientização da endometriose
Atividade on-line e gratuita busca chamar a atenção da população para a doença e o diagnóstico precoce

Neste sábado (26), às 9h, será realizada a 9ª edição da EndoMarcha – Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose. O encontro acontecerá de forma on-line em 75 países diferentes, incluindo o Brasil, por meio da página no Instagram @aendoeeu e pelo site www.aendometrioseeeu.com.br.
O objetivo é falar sobre a endometriose, doença inflamatória que afeta milhares de mulheres ao redor do mundo. Por meio da marcha, busca-se chamar a atenção da população para a importância da realização dos exames e do diagnóstico precoce, para o tratamento adequado da enfermidade. Além disso, de acordo com a coordenadora do EndoMulheres Londrina, Marian Trigueiros, o evento trará muita informação sobre a doença, as leis relacionadas a área, os tipos de tratamento existentes e a cirurgia, além de trazer histórias das mulheres. “Infelizmente, esse é o terceiro ano consecutivo que não conseguiremos sair às ruas por causa da pandemia. No último ano de participação, em 2019, reunimos cerca de 40 mulheres de Londrina e região. É um número ainda pequeno diante da quantidade de mulheres portadoras e que sofrem com a doença. Mas já conseguimos fazer com que a sociedade nos enxergue e escute nossas dores físicas e emocionais, para que a gente consiga ter tratamento digno e adequado para a doença”, disse Trigueiros.
De acordo com a coordenadora do EndoMulheres, a endometriose atinge 10% da população feminina, conforme dados de entidades da área de ginecologia, o que representa que uma em cada 10 mulheres no país e no mundo em idade fértil têm a enfermidade. “Em até 70% dos casos, os sintomas começam na adolescência, antes dos 20 anos. Em números absolutos, isso representa que quase 200 milhões de meninas e mulheres tenham endometriose em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é que esse número chegue a 10 milhões. Se seguir o mesmo índice, Londrina possui cerca de 30 mil mulheres com endometriose. Agora eu pergunto: quantas dessas foram diagnosticadas? Um índice muito pequeno, que não condiz à realidade”, citou.
Quando a doença é detectada , muitas vezes, é necessário passar por um procedimento cirúrgico de remoção da lesão, por meio de um corte da pele ao redor desta ferida. Com a cirurgia de excisão, há grandes chances de se erradicar a endometriose e devolver qualidade de vida para a mulher. Mas, não são todos os municípios brasileiros que ofertam o tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e esse é um dos pontos que as organizadoras enfatizam durante a marcha.
Em Londrina, a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Liange Doy Fernandes, explicou que existem duas leis municipais para tratar do assunto. A primeira delas, a Lei Municipal nº 13.229 instituiu na cidade o Dia da Luta Contra a Endometriose. A segunda é a Lei Municipal nº 13.233, que declara Março Amarelo, como mês de conscientização e de realização de atividades educativas por de entidades públicas e privadas, ONGs e associações da sociedade civil. “A marcha faz parte das ações do Mês Amarelo e do Mês da Mulher, porque sabemos da importância de chamar atenção para a temática, visto que ainda muitas mulheres não sabem que têm a doença. Então, quanto mais informações forem repassadas para a sociedade, mais conscientização e ajuda elas terão”, disse Fernandes.
Em Londrina, a EndoMarcha é organizada pelo coletivo EndoMulheres Londrina (grupo que apoia as portadoras de endometriose) e tem apoio do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres (CMDM) e da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM). Os interessados em saber mais sobre o assunto podem acessar a página no Facebook (fb.me/endolondrina), assim como o Instagram @endolondrinapr ou, ainda, escrever um e-mail para: endolondrinapr@gmail.com
Sobre a endometriose – A doença é provocada por células do endométrio (revestimento do útero) que, em vez de serem expelidas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar. Geralmente, ela atinge os órgãos reprodutivos, intestino, bexiga e parede abdominal.