Cidadão

Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher se reúne para debates e mostra de dados

Encontro teve como tema os direitos das mulheres negras; pauta está alinhada ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho

A Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e Sexual contra as Mulheres do Município de Londrina realizou, nesta sexta-feira (15), uma reunião on-line para debater a violência contra as mulheres negras. Incluído na programação de reuniões mensais do grupo (confira aqui), o evento abordou uma temática alinhada ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. A data busca dar visibilidade à luta histórica das mulheres negras pela igualdade de direitos e de oportunidades e pela justiça social. Além disso, a discussão também está conectada à mobilização alusiva ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, celebrado em 22 de julho (saiba mais).

Coordenada pela Gestora de Promoção de Igualdade Racial da Prefeitura de Londrina, Maria de Fátima Beraldo, a atividade teve como convidadas a psicóloga, integrante da Plenária de Mulheres Negras do Norte do Paraná e da Comissão Étnica Racial do CRP-PR, Rosiane Teodoro, e a pedagoga e colaboradora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UEL, Aline Bandeira de Oliveira. Também participaram cerca de 30 representantes de órgãos que compõem a Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e Sexual contra as Mulheres.

Durante a atividade, foram apresentados dados estatísticos sobre a violência contra as mulheres negras e o impacto do racismo na saúde mental destas mulheres, e também foi destacada a importância da participação de toda a sociedade para a transformação desta realidade.

A gestora de Promoção de Igualdade Racial, Maria de Fátima Beraldo, compartilhou diversos números que demonstram o impacto das desigualdades étnico-sociais e de gênero no Brasil. “De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, 77,8% das pessoas em extrema pobreza no país são negras, e as desigualdades aumentaram ainda mais durante a pandemia, afetando principalmente os negros, que estão na base da pirâmide social. Também é importante destacar que, dos 6,4 milhões de estudantes que não tiveram acesso a atividades educacionais remotas durante a pandemia, 4,3 milhões são negros ou indígenas. Essas situações afetam principalmente as mulheres negras, que frequentemente sustentam suas famílias trabalhando na informalidade, sem ter acesso a direitos trabalhistas”, frisou.

Ainda segundo Beraldo, o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha foi estabelecido por ocasião do 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, promovido em 1992, em Santo Domingo, República Dominicana. “Esse evento foi um marco para a defesa dos direitos das mulheres negras da América Latina e do Brasil e por isso, em nosso país, celebramos desde 2013 o ‘Julho das Pretas’. É um mês de discussão que homenageia lideranças femininas negras como a quilombola Tereza de Benguela, que foi um símbolo de resistência no século 18. A abordagem interseccional é importante porque as mulheres negras podem estar sujeitas a vários tipos simultâneos de opressão e violência, incluindo o machismo, o racismo, a intolerância religiosa e a homofobia”, apontou.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres em exercício, Rosangela Portella Teruel, destacou que essa temática está inserida na área de políticas para as mulheres de forma permanente, por meio do Grupo de Trabalho Étnico-Racial da Rede de Enfrentamento à Violência. “O GT Étnico-Racial, que foi criado em julho de 2020, tem como objetivo ampliar e fortalecer o diálogo sobre como trabalhar concretamente o recorte de raça e etnia nas políticas públicas e ações direcionadas às mulheres. Em Londrina, o Plano Municipal de Políticas para as Mulheres possui, entre seus eixos prioritários, o enfrentamento a todas as formas de violência contra as mulheres, com ações que contemplam as especificidades étnico-raciais, entre outras interseccionalidades”, sublinhou.

Conforme a gestora de Promoção de Igualdade Racial, o GT tem importância fundamental para a abordagem das questões referentes às mulheres negras, indígenas e ciganas. “Na reunião de hoje, discutimos as atividades que vêm sendo realizadas pelo GT, assim como as demandas dos segmentos que ele representa. Por exemplo, falamos sobre as discussões, iniciadas pelas mulheres indígenas, para que seja implementado um protocolo de atendimento a mulheres racializadas durante o momento do parto. Isso é especialmente importante para as indígenas, que às vezes têm dificuldades para se comunicar em português ou não sabem como obter a documentação para seus filhos. Assim, essa é uma discussão pioneira no Brasil, que está sendo iniciada em Londrina e envolve várias secretarias e órgãos”, pontuou. 

Rede de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher – Coordenada pela Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM), é uma estratégia de articulação das políticas públicas e um espaço de sensibilização e de qualificação da atuação profissional no enfrentamento à violência contra as mulheres. Envolve diversas instituições e serviços das áreas da saúde, assistência social, educação, segurança pública e justiça.

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