Prefeitura e IFPR abrem projeto-piloto sobre direitos humanos da Mulher e violência doméstica
Equipe multiprofissional do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM) irá orientar e capacitar alunos do IFPR para identificação de situações de violência e devidos encaminhamentos à Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Doméstica

Para ampliar o conhecimento de alunos de cursos técnicos em saúde a respeito do funcionamento e atendimentos prestados pela Rede Municipal de Enfrentamento à Violência Doméstica, Familiar e Sexual contra as Mulheres de Londrina, uma nova iniciativa está entrando em cena. Nesta quinta-feira (15), às 14h, será realizada a abertura oficial do projeto-piloto “Direitos Humanos da Mulher, compreender e enfrentar a violência doméstica: Transversalidade entre o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CAM) e Instituto Federal do Paraná (IFPR)”.
Este novo trabalho é articulado por meio de uma parceria já existente entre o Colegiado de Enfermagem do IFPR e o CAM, que integra a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM). A finalidade do evento de lançamento é apresentar o projeto de extensão à comunidade geral e acadêmica do IFPR, bem como às entidades de promoção e defesa da mulher na cidade e região, a fim de demonstrar e dar visibilidade a todos os objetivos desta ação.
O encontro irá ocorrer no auditório do IFPR, unidade Norte, localizada na avenida Liberdade, 855. Entre as presenças confirmadas, participam a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Liange Doy Fernandes, representantes do CAM, o diretor-geral do IFPR, Marcelo Lupion Poleti, a Juíza Márcia Guimarães Marques, do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, e a Vara de Crimes contra Crianças, Adolescentes e Idosos; além da Juíza Tatiane Garcia Silvério de Oliveira, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Ainda haverá um momento com um depoimento de uma mulher que foi vítima de violência doméstica e superou a situação tendo recebido suporte do CAM.
As atividades do projeto-piloto irão ocorrer com aulas mensais em sala de aula, totalizando quatro horas de duração, que visam capacitar alunos dos cursos técnicos das áreas de Enfermagem e Massoterapia do IFPR, para que essas pessoas consigam compreender e identificar a violência contra a mulher, podendo viabilizar os devidos encaminhamentos para as redes de apoio existentes.
As aulas serão ministradas pela equipe multiprofissional do CAM, composta por servidoras das áreas de serviço social, psicologia e jurídica. Cerca de 40 a 50 pessoas serão capacitadas, e a programação tem início já no dia 22 de setembro.
Para a coordenadora do projeto, docente de Enfermagem do IFPR, Rosângela Cabral, este trabalho é de extrema importância no sentido de ampliar o número de profissionais que poderão contribuir para atuação no enfrentamento à violência contra mulher. “Levar os alunos de enfermagem para visitas ao CAM foi muito interessante e despertou um olhar diferenciado para uma realidade que é ainda muito desconhecida, infelizmente, pela maioria. Tivemos muitos relatos de alunas sobre elas ou pessoas conhecidas, e ainda aqueles que identificam situações de violência que nunca imaginaram que fosse. A proposta é proporcionar a extensão do conhecimento para os alunos, poder inseri-los em inscrições para bolsas, e o mais importante, poder informar cada vez mais a comunidade sobre um problema tão sério e presente em nossa sociedade”, analisou.
A diretora de Atendimento Especializado à Mulher da SMPM, Lucimar Rodrigues da Silva, contou que as abordagens são fruto de um curso ofertado pelo CAM, do qual os alunos do IFPR vinham participando há cerca de três anos. “Nas aulas, os participantes sempre tiveram a oportunidade de conhecer melhor o fluxo de serviços da rede municipal quanto ao atendimento às mulheres vítimas de violência em Londrina, já que o CAM é uma referência estadual e até nacional neste segmento. Eles puderam ver em campo como se dão as formas de recebimento e identificação das situações, as maneiras de acolher este público, estrutura de atendimento e possibilidades de encaminhamento de tais demandas, de forma adequada e eficaz”, explicou ela.
Nesse contexto, surgiu a ideia de ampliar o alcance deste curso, transformando-o em um projeto-piloto estruturado para aplicação junto aos alunos dentro do próprio IFPR. “Sentamos com o pessoal do IFPR para montarmos este trabalho, entendendo que ele poderia render mais, merecia ser feito com encontros mais duradouros e de forma mais completa. O intuito é capacitar este público, para que todos estejam aptos a auxiliar as mulheres do jeito correto e necessário, tendo empatia e sabendo como agir na prática. Isso porque muitas mulheres não podem ou não conseguem pedir ajuda conversando, mas aponta o que passam com sinais corporais e expressões. Assim, é fundamental que profissionais de áreas ligadas à saúde, e de outras, tenham essa vivência e maior consciência dos tantos impactos que as violências causam na saúde física e mental de quem as sofre”, ressaltou Silva.
O curso abordará uma série de temas, de forma teórica e prática, tratando sobre o que é a violência contra a mulher, suas formas e tipificações, fatores que dificultam a identificação do ciclo de violência, atendimento humanizado, legislação (Lei Maria da Penha, Lei do Feminicídio, Lei da Importunação Sexual e outros dispositivos legais), criminalização da violência psicológica, rede de proteção e enfrentamento à violência, bem como seus impactos. Dois encontros práticos complementarão o cronograma, com visitas à sede do CAM, às Delegacias da Mulher e Vara Maria da Penha, entre outros pontos para ações em campo.
Após um ano de atividades, o período inicial do projeto-piloto será avaliado pela SMPM e o IFPR, que estudarão a viabilidade de estender a ação por mais tempo e oferta-la para outros cursos do IFPR. “A intenção é que o projeto possa, quem sabe, se tornar contínuo e seja estendido aos demais cursos e graduação e até para comunidade em geral, interna e externa ao IFPR”, afirmou a coordenadora do projeto, Rosângela Cabral.
“Considero a iniciativa muito positiva, pois traz mais visibilidade ao que a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres e o CAM desenvolvem em Londrina, em prol da defesa dos direitos das mulheres, e fortalece a parceria entre a Prefeitura e o IFPR”, concluiu a diretora de Atendimento Especializado à Mulher da SMPM.