Parceria entre o ECOH e as escolas públicas já dura 12 anos
Escolas e CMEIs de Londrina recebem narradores do Encontro de Contadores de Histórias desde a primeira edição; as narrações contribuem para o aprendizado e o convívio entre as crianças

A atmosfera positiva criada pela narração oral é clara para quem observa as sessões do ECOH em escolas e Centros de Educação Infantil da rede municipal e estadual de Londrina. As crianças acompanham as apresentações atentas, alegres e participativas, já que estar em grupo ouvindo uma história emociona, empolga, faz pensar, rende boas risadas e conversas. Além disso, muitas vezes transforma os ouvintes em contadores também, pois logo estão compartilhando com outras pessoas a história que mais gostou. No processo há muito aprendizado intelectual e emocional envolvido.
O sucesso com os alunos é tanto que em muitas edições do ECOH foram organizadas sessões extras de espetáculos em outros espaços, como bibliotecas e teatros, para atender escolas onde não foi possível levar os contadores.
E os professores também aproveitam o festival, não só nas apresentações, mas em oficinas para o desenvolvimento de habilidades da narrativa oral. Anualmente, o ECOH programa atividades formativas e convida os professores do projeto Palavras Andantes da Secretaria Municipal de Educação (SME), que atuam como mediadores de leitura.
Sônia Pedroso, da Escola Municipal Professora Geni Ferreira, é uma das integrantes do projeto e sempre participa das oficinas do ECOH. Segundo ela, as oficinas têm sido de grande importância. “Vivemos num momento em que tudo é novo e muito rápido, então as atividades propostas, as novidades trazidas pelo ECOH, são sempre bem-vindas. Eu sempre tento realizar uma cantiga nova, um jeito diferente de contar, um gênero literário que ainda não experimentamos, por insegurança ou por não ter conhecimento. É necessário nos informar, participar, buscar, pois enquanto mediadoras de leitura, precisamos nos encantar para depois encantar e conquistar o nosso aluno. Afinal, esse é o objetivo da mediação de leitura, trazer novos leitores, apaixonados, reflexivos e contagiantes”, disse.
Nesta edição do festival, os professores vão participar da oficina EnContar Cordel, com a cordelista pernambucana, Mari Bigio. A formação, dividida em dois módulos, abrange as origens, características e regras da literatura de cordel, além de apresentar textos e autores que são referência no gênero, propondo ainda exercícios e desafios criativos. A atividade será realizada quarta-feira (30), no SESC Londrina Centro (Rua Fernando de Noronha, 264), a partir das 18h30.
Para a professora Aliny Perrota, educadora reponsável pelo apoio pedagógico de Língua Portuguesa da SME, a formação do mediador de leitura é imprescindível para que seja possível levar o melhor da literatura aos 40 mil alunos da rede. “Desde o 1º ECOH, temos a felicidade de poder contar com esse evento dentro das nossas escolas. O ECOH sempre nos proporciona apresentações para os nossos alunos, seja dentro das próprias escolas ou em locais em que levamos nossas turmas. Um ponto muito positivo e sempre muito aguardado pelos nossos professores mediadores de leitura do Palavras Andantes, são as oficinas voltadas para eles. Onde os nossos professores se reabastecem com histórias, técnicas e muitas reflexões acerca da leitura, oralidade e narrativas e isso traz um impacto na sua prática escolar. O ECOH com certeza é um divisor de águas, sempre trazendo grandes profissionais que contribuem muito para a nossa formação”, afirmou.
Programação nas escolas
Nesta semana, na terça-feira (22), a Escola Municipal João XXIII, na Vila Industrial zona oeste, foi o palco de duas apresentações da carioca Silvia Castro narrando A Sereia de Copacabana, um alerta sobre a poluição dos oceanos, escrito por ela e já publicado em livro.
Castro comentou que a Sereia de Copacabana foi adotada pelas salas de leitura da cidade do Rio de Janeiro, pela Prefeitura. “Já participei de vários encontros, vou às escolas contando a história, levando livro, fazendo essa ponte entre a literatura oral e a literatura escrita. Inclusive estive em maio desse ano, na Alemanha, levando a Sereia de Copacabana, falando do mar, da praia, da questão da limpeza, da necessidade de a gente ter esse equilíbrio ambiental. Eles tiveram muito interesse em conversar sobre essas questões tão importantes através de uma sereia que é divertida, que é engraçada”, contou.

A Escola Municipal Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti, no Jardim do Sol, também na Zona oeste, abriu espaço para receber duas histórias apresentadas por artistas de Londrina no dia 24. Uma sobre a formiga determinada que aprendeu a voar em Asas da Elta, criação do Palhaço Arnica (Luís Henrique Bocão); a outra foi História Sem Pé Nem Cabeça, da Palhaça Adelaide (Juliana Galante), que conta sobre como nasceu a chuva, o sol e o arco-íris para revelar um mundo de imaginação e sentimento, que preza pela liberdade.

Para a Escola Municipal Luiz Marques Castelo, no Patrimônio do Espírito Santo, Zona Rural de Londrina, o ECOH agendou, no dia 25, duas apresentações de Histórias Encantadas, da educadora, pesquisadora e contadora Ivani Magalhães, de São Paulo. O espetáculo faz uma releitura de contos de fada, narrados de forma envolvente e interativa, explorando recursos visuais, como tecidos, bonecos e objetos animados, além de recursos sonoros e canções.
No CMEI Vanderlaine Aparecida Rodrigues Ribeiro, no Jardim Maria Celina, na Zona Norte, as crianças vão se divertir com duas companhias nesta terça-feira (29). A Cia CLAC, trupe de palhaços de Londrina apresenta Histórias de Nossas Memórias, às 10h, com aventuras de uma galinha para fazer um pão; a saga do gigante Jequitibá, uma árvore de 1500 anos e 54 metros de altura que viveu em Minas Gerais; e ainda uma narração sobre o surgimento das estrelas.
Já a Cia Zoom, da contadora Patrícia Maia, estreia no mesmo local, às 14h, o espetáculo Tá no Livro!, uma seleção de histórias de autores contemporâneos que tratam de questões como perda, distanciamento, preconceito e disputa. Para Patrícia, são “questões que nos atravessam de uma forma ou de outra e que, pelo viés das histórias, tocam o coração, acalentam, fortalecem e, por que não, também divertem”, disse.
Além da rede municipal de educação, o Colégio Estadual do Patrimônio Regina, foi contemplado pelo ECOH com a apresentação da palestra/performance sobre violência contra a mulher, Me chame pelo meu nome, com Marina Stuchi, pesquisadora e atriz de Londrina. Uma apresentação emocionante com roda de conversa para a turma do segundo ano do Ensino Médio. Para o Instituto Roberto Miranda, escola para pessoas com deficiência visual, o festival levou Gênese Yorubá, espetáculo popular criado pela comunidade do Candomblé em Londrina.
Mais informações sobre as oficinas e a programação completa do ECOH estão disponíveis no site ecoh.art.br.
O 12º Encontro de Contadores de Histórias de Londrina é uma realização do Instituto Cidadania. Conta com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o Promic. Tem ainda parceria institucional do Okupa, e apoio cultural de Vila Cultural Alma Brasil, SESC, CLAC, Vila Cultural Casa da Vila, e Barracão Tangará.
Texto: Assessoria de Imprensa – Christina Mattos