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Londrina deve ganhar inédito espaço interativo de divulgação científica sobre a seda

No formato de museu interativo, local promete inovações e tem como foco divulgar a cultura da seda de forma moderna; projeto integra a nova rede Quintas da Ciência

Produtora do melhor fio de seda do mundo e maior exploradora desse produto na América Latina, Londrina poderá ser contemplada com um novo espaço físico de experiência interativa centrado na seda e suas nuances. A cidade foi escolhida para ganhar o polo Quinta da Seda, propondo uma imersão científica inédita para que a população conheça mais sobre a cadeia produtiva da seda, o bicho da seda, manejo, exportação, tradição e protagonismo do município no setor e outros aspectos. Para conhecer mais sobre o projeto, em fase inicial de elaboração, o prefeito Tiago Amaral se reuniu ontem (26) com representantes da iniciativa e de outras instituições no Jardim Botânico, local escolhido para abrigar o museu interativo, a ser implantado na ala onde funciona a base administrativa do núcleo regional da Casa Civil.

O Quinta da Seda integra a rede Quintas da Ciência, novidade recente do programa Paraná faz Ciência, que é parte dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPI), gerido pela Fundação Araucária, vinculada à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI).

A expectativa é que Londrina seja a primeira cidade a contar com este espaço, dentre os seis polos idealizados na rede, envolvendo outros cinco municípios com diferentes temáticas: Foz do Iguaçu (Quinta das Águas); Maringá (Quinta da Sustentabilidade); Guarapuava (Quinta da Madeira); Pontal do Sul (Quinta dos Manguezais); Piraquara (Quinta das Nascentes).

Foto: Emerson Dias / N.Com

Participaram do encontro no Jardim Botânico os responsáveis pela Aukland Arquitetura, Aurélio e Karine Sant’Anna, à frente da empresa que foi contratada para desenvolver os projetos arquitetônicos de todas as unidades do Quintas da Ciência no Paraná. Também esteve presente a chefe do Núcleo Regional da Casa Civil em Londrina, Sandra Moya, e Renata da Rosa, vice-coordenadora das pesquisas em Cadeia Produtiva da Seda, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), entre outros representantes da UEL, além do secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, e servidores da Prefeitura.

A equipe da Aukland recebeu prazo de seis meses para entregar os projetos. O investimento total é de R$ 1.250.000,00 para a execução de todos projetos no estado, financiados pela Fundação Araucária. Para Londrina, o valor aproximado fica na casa dos R$ 200 mil. Posteriormente à conclusão dos projetos, será aberta licitação para contratar a executora da construção.

Foto: Emerson Dias / N.Com

O museu interativo Quinta da Seda é inspirado no programa europeu Ciência Viva, de Portugal, conduzido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que agrega forças entre sociedade civil, poder público, comunidade acadêmica e escolar para promover divulgação científica e tecnológica entre cidadãos de todas as idades. Os representantes da empresa Aukland foram para Portugal, em janeiro de 2026, para conhecer o programa e agora estão visitando cada uma das “Quintas” a serem implantadas no Paraná.

Em Londrina, o centro está previsto para funcionar em um espaço de 500m², onde os visitantes terão uma experiência estimulante de contato com o universo da seda, conhecendo histórias e absorvendo informações sobre a atividade da sericultura em um ambiente que une cultura, tecnologia e interatividade. Será possível ver de perto o bicho da seda, saber mais sobre como funciona sua genética e a cadeia produtiva da seda, a importância para o mercado do agronegócio e economia. Há previsão de exposições, painéis tecnológicos, visitas guiadas, ações educativas e outras formas de uso, abrindo possibilidades para movimentar e integrar o campo acadêmico e o ramal de turismo.

O fluxo produtivo da seda envolve setores diversos, incluindo confecção, malharia, cosméticos, moda, setor médico e outros. A larga cadeia é movimentada por produtores rurais (os sericultores), biólogos, técnicos agropecuários, pesquisadores, indústrias e empresas, entre outros entes.

Foto: Emerson Dias / N.Com

A partir da reunião de ontem (26), o projeto arquitetônico começará a ser desenhado para definir quais elementos farão parte da nova sala imersiva. Durante o encontro, a Aukland mostrou casos de sucesso que desenvolveu no Brasil, incluindo o Parque da Ciência Newton Freire Maia e o Museu do Saneamento da Sanepar, em Curitiba (PR). E também museus na sede do acelerador de partículas brasileiro, em Campinas (SP), no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

O prefeito Tiago Amaral elogiou a iniciativa e enfatizou que se trata de um projeto inspirador, que abre portas e dialoga diretamente com o DNA de inovação de Londrina. “Ter um museu interativo aqui sobre o tema, e tão diferenciado no formato interativo, mostrará o que a seda representa para nossa terra, sua história de décadas de desenvolvimento e consolidação, a alta qualidade do produto que sai daqui para o mundo. A Bratac Seda é referência nacional e internacional, somos um polo gigante no segmento, e essa história vem lá de trás, desde o pioneirismo de Londrina, e precisamos continuar contando isso para todos. É um grande orgulho saber que poderemos ter um centro que une ciência, cultura e tecnologia. As pessoas precisam entender como Londrina é gigante, impulsionando a força, ousadia e brilhantismo que correm em nosso sangue”, comentou.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Também esteve presente na atividade Cristianne Cordeiro, assessora de Relações Institucionais e de Inovação da Fundação Araucária, e diretora de Inovação da Associação Brasileira da Seda (Abraseda), sediada em Londrina. Ela frisou que a atmosfera pretendida para o Quinta da Seda é de um espaço cativante, com fluidez cultural e científica, aberto para todos. “Aqui teremos muita interatividade, conhecimento a ser compartilhado. O visitante se sentirá como se estivesse dentro de um campo, verá de perto cada detalhe do que é a seda e os processos produtivos e de trato com essa matéria. Teremos os bichos da seda para as pessoas observarem e pegarem, como ocorre em feiras no formato da ExpoLondrina. Queremos pessoas de todas as idades, mas especialmente muitas crianças e jovens frequentando o local e usufruindo do que vai oferecer, já que hoje eles estão acostumados demais com telas, e poderão vivenciar outras formas de aprendizado. A ideia é promover uma centelha de inspiração com foco na ciência”, destacou.

Ainda para Cordeiro, o projeto vem para reforçar Londrina como referência mundial na produção de seda, possibilitando que mais pessoas conheçam essa qualidade do município. “Londrina tem a única empresa do Hemisfério Ocidental de fiação de seda em escala industrial, tem o projeto Seda Brasil, a Abraseda também está aqui, então é um ramal relevante e que contribuirá muito para o sucesso do Quinta da Seda. A gente já pensava antes no Jardim Botânico como local a abrigar este novo polo, até porque o Estado tem esse compromisso de revitalizar o Jardim para Londrina. Quisemos, então, a anuência do prefeito Tiago Amaral para essa futura construção. É um projeto que já está financiado e a cidade poderá contar com esse museu interativo. Londrina já tem o ecossistema mais robusto de inovação do Brasil e precisa divulgar essa característica e potencial cada vez mais”, disse.

Aurélio e Karine Sant’Anna, da Aukland Arquitetura. Foto: Emerson Dias / N.Com

O arquiteto e urbanista Aurélio Sant’Anna, responsável da Aukland Arquitetura, garantiu que o público londrinense terá a chance de viver uma experiência marcante ao visitar o Quinta da Seda, salientando sua capacidade de estimular sentidos e aglutinar linguagens. “Nosso desejo é que o projeto faça a diferença na vida das crianças, dos adultos e de todos que visitarem. O tema da seda em Londrina é maravilhoso e a proposta é não só informar, trazer conhecimentos científicos, mas também encantar e emocionar. É um museu diferente, moderno, sem pensar em coisas antigas, nem só em história, mas realmente proporcionando um momento singular para quem for conhecer. Ainda estamos começando, mas dá para adiantar que haverá ambientes e painéis variados, com muitos elementos chamativos, mesclando interatividade tecnológica e analógica. Gostamos da ideia de movimento e vamos explorá-la nesse trabalho tão bonito e desafiador. Em uma era hiperconectada, precisamos estimular a experiência física para as novas gerações”, apontou.

Segundo a diretora da Aukland Arquitetura, Karine Sant’Anna, o objetivo final do produto é a inspiração e o legado cultural. “A grande chave do Quinta da Seda é estimular as famílias, trabalhar o tema do cultivo da seda de forma amarrada com a tecnologia, ajudar Londrina a ampliar a divulgação de suas riquezas, valorizar a história da seda, das famílias sustentadas por essa produção, reforçar o pertencimento. É importante fazer com que isso permaneça vivo na cidade e colabore para seu crescimento. O projeto Quintas da Ciência nasceu da academia, a partir do NAPI Paraná faz Ciência, tem muitos professores envolvidos, e a intenção é que o espaço esteja sempre aberto às universidades e escolas, que seja um laboratório de ideias. Queremos criar um grande ‘problema’ para Londrina quanto à visitação, e quando a agenda estiver lotada vamos poder comemorar o sucesso da iniciativa”, sublinhou.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Já chefe da Casa Civil em Londrina, Sandra Moya, expressou motivação ao falar sobre o novo centro que está previsto para funcionar nas dependências da sede administrativa do núcleo regional da Casa Civil, dentro do Jardim Botânico. “Estamos disponibilizando um espaço para a montagem desse museu interativo que será mais um grande chamariz para o Jardim Botânico, na esteira de sua revitalização pelo governo estadual. É uma grande satisfação poder ter esse polo inédito em nossa casa e região, tenho certeza que será adorado pela população, pelos estudantes que poderão conhecer de perto a história da seda em Londrina. As visitações vão movimentar bastante aqui, vai ampliar muito a presença do público. Precisamos fazer essas mensagens positivas da cidade circularem”, comemorou.

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