Destaques

Ação conjunta na área central oferece acolhimento e cuidados à população em situação de rua

Equipes das Secretarias Municipais de Assistência Social e de Saúde abordam esse público e oferecem os encaminhamentos para uma nova trajetória de vida

Semanalmente, a Prefeitura de Londrina tem realizado ações interesetoriais de abordagem ampliada à população em situação de rua. Na manhã de ontem, quinta-feira (26), houve mais uma edição dessa iniciativa, cujo enfoque se dá no quadrilátero central e conta com participação integrada de equipes das Secretarias Municipais de Assistência Social (SMAS), Saúde (SMS) e, se necessário, apoio da Guarda Municipal. Ontem (26), os servidores identificaram na área central 28 pessoas em situação de rua, todos adultos, das quais 11 receberam encaminhamentos diversos, um deles inclusive com retorno familiar finalizado, e nove recusaram o atendimento.  

O relatório completo indica que, com exceção dos que recusaram, todos os demais foram avaliados pelos serviços participantes da ação. Quatro pessoas foram encaminhadas para serviços de acolhimento, três foram internados para tratamento de saúde, e dois foram levados para unidade de saúde, para receber cuidados médicos.  

Foto: Divulgação/ SMAS

Um dos casos assistidos foi o de E.R.S, que passou a viver nas ruas há cerca de um mês, abalado pelo falecimento de sua mãe. Na abordagem desta quinta-feira (26), ele solicitou apoio para emitir sua documentação que retirou no Centro Pop, sede do Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua da SMAS. 

Durante atendimento técnico, E.R.S contou que possui vínculo familiar e, após contato da equipe, seus familiares foram até a unidade, onde demonstraram disponibilidade para acolhê-lo e solicitaram apoio para tratamento de saúde. E nesta sexta-feira (27), ele iniciou seu atendimento especializado no CAPS AD. O atendimento seguirá de forma articulada, contemplando tanto o usuário quanto sua família, com foco no fortalecimento do retorno familiar e prevenir a reincidência em situação de rua. 

As ações intersetoriais para a população em situação de rua contam com atuação do Serviço de Abordagem Social, Central de Vagas e Centro Pop, da SMAS. Pela Secretaria Municipal de Saúde, participam o Consultório na Rua (CnaR), Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS) III, Álcool e Drogas (Caps AD) e Caps Infantil; e, para atendimentos de urgência e emergência, o SAMU 192. A Guarda Municipal, quando acionada, foca na segurança dos servidores envolvidos, especialmente nas situações de internação involuntária. Há ainda a possibilidade de viabilizar, conforme avaliação técnica e consentimento do usuário, passagens intermunicipais ou interestaduais para reintegração familiar ou retorno ao município de origem.

Foto: Divulgação/ SMAS

E além dessas atividades semanais, o Serviço de Abordagem Social e o CnaR realizam, de forma contínua e diariamente, outras ações de abordagem, em que a área de abrangência contempla 211 pontos da cidade. Esses locais são definidos por meio de levantamento e com base em critérios técnicos, monitoramento territorial e dinâmica de permanência da população em situação de rua, explicou a diretora de Proteção Social Especial da SMAS, Carolina Fávaro.  

Nas quintas-feiras, as abordagens integradas envolvem atuação conjunta e focada no quadrilátero central, com a participação de múltiplos serviços da Saúde e Assistência Social e, ocasionalmente, da GM. “A população em situação de rua apresenta demandas múltiplas, complexas e intersetoriais, que envolvem saúde física, saúde mental, uso problemático de substâncias, vulnerabilidades sociais, rompimento de vínculos familiares, violação de direitos e ausência de proteção social. Por esse motivo, a atuação não pode se restringir a uma única política pública, sendo necessária a articulação intersetorial”, destacou Fávaro. 

Coordenando a equipe do Consultório na Rua da SMS, a enfermeira Talita Alves Victrio explicou que essas abordagens incluem não só uma avaliação no local, mas também a oferta de serviços de saúde. “Perguntamos como essa pessoa está de saúde, e geralmente eles têm algumas queixas, que aproveitamos para ter o engajamento melhor. Hoje o CnaR tem 800 pessoas em situação de rua cadastradas. Nas abordagens ampliadas, junto com o CAPS, Centro Pop e demais, o CnaR visa a atenção da saúde. Sempre temos o médico e o enfermeiro, fazendo encaminhamento para especialistas e cuidando das gestantes, temos sete em situação de rua. Também acompanhamos pessoas com tratamento de tuberculose, e as que são atendidas nas Unidades Básicas de Saúde, mas transitam em territórios, por estarem em situação de rua”, detalhou. 

A coordenadora do CnaR acrescentou que o trabalho envolve, ainda, a conscientização da pessoa para iniciar ou dar sequência aos tratamentos, seja de vício em álcool ou outras drogas, e doenças crônicas como diabetes e hipertensão. “Temos até casos de hanseníase na pessoa em situação de rua, então é uma forma de ajudar essa pessoa como um todo. Pedidos de exames, curativos, fazer uma medicação; muitas vezes a equipe já sai com os insumos e todo o preparo necessário. A ação também viabiliza que o Consultório na Rua trate bastante situações em termos de atenção primária, ou seja, aquilo que deve ser atendido nas unidades básicas”, complementou. 

Para a enfermeira, as abordagens com equipes de diferentes setores são necessárias por darem às pessoas em situação de rua a oportunidade de terem o atendimento do que necessitam já no acolhimento. “O intuito da ação é tentar organizar aquele cidadão, que se encontra naquele estado, para que ele possa viver uma outra situação”, finalizou.  

Etiquetas
Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Compartilhamentos