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Londrina ampliará cobertura de combate à dengue com mosquitos resistentes ao vírus

Reunião do Comitê Ampliado de combate à doença apresentou redução de casos no município em 2025

O trabalho de combate à dengue, zika e chikungunia, será reforçado em Londrina com a ampliação para 100% de cobertura pelas ações de soltura de mosquitos resistentes aos vírus que causam estas doenças. O anúncio foi feito pela secretária de Saúde do município, Vivian Feijó, durante a primeira reunião do Comitê Ampliado de Combate à Dengue, nesta sexta-feira (6). 

Soltura de mosquitos com bactéria wolbachia. Foto: Emerson Dias / arquivo NCom

A disseminação dos mosquitos resistentes, por portarem a bactéria Wolbachia, faz com que os novos mosquitos deixem de transmitir as doenças na área ocupada pelos novos insetos. Com a primeira fase de soltura, Londrina atingiu 60% de cobertura com essa tecnologia. “Esta semana nós tivemos uma reunião importante com o Ministério da Saúde, junto com a 17ª Regional de Saúde, em que tivemos um aceno positivo para a continuidade do projeto de soltura, o que será mais um grande reforço no enfrentamento à dengue”, declarou Feijó.  

Queda nos números da dengue – No encontro desta sexta-feira, foram apresentados números que indicam uma redução significativa nos casos de dengue no município, na comparação de 2025 com o ano anterior: foram 88,2% menos casos confirmados e 82,7% menos óbitos registrados. Ao longo do último ano houve 4.965 casos confirmados em Londrina e nove mortes decorrentes da doença. Já nos dois primeiros meses de 2026, foram contabilizados 171 casos confirmados e nenhum óbito ocorrido.  

Mas a redução nos números não deve desacelerar as ações de combate à doença, conforme alertou a secretária de Saúde. “Todas as parcerias com a CMTU, com a educação, com as universidades, com as tecnologias que a gente tem aplicado nos territórios do combate à dengue, precisam ser diariamente intensificadas para que esses números permaneçam baixos. Também estamos trabalhando em ações coletivas com os hospitais, para a identificação rápida da doença e o cuidado intenso, atuando em conjunto para preservar vidas”. 

Nino Ribas: Meses de março e abril pedem atenção especial. Foto: Rakelly Calliari / NCom

De acordo com o gerente de Vigilância Ambiental da SMS, Nino Ribas, os meses de março e abril são entendidos como um período de atenção especial. Como parte das ações de prevenção, a cobertura por armadilhas de ovos dobrou no último ano, e hoje abrange todo o município. Semanalmente, as equipes da Vigilância Ambiental recolhem as placas e fazem a contagem e descarte dos ovos colocados pela fêmea do mosquito Aedes aegipty 

Esse monitoramento serve como base para o direcionamento das ações em campo. As localidades com maior concentração de ovos do mosquito atualmente são os bairros Leonor, Santa Rita e Pinheiros, na região Oeste da cidade; a região central, especialmente o quadrilátero próximo das ruas Piauí e Hugo Cabral; o União da Vitória, na região Sul; e o Monte Carlo, na zona Leste.  

O gerente explicou que o plano de contingência para o combate à doença envolve cinco eixos: gestão, assistência, vigilância epidemiológica e laboratorial, controle vetorial e comunicação. “Na parte de controle vetorial, as visitas domiciliares e a pontos estratégicos são rotina. Além disso, todo caso notificado gera nossa ação em campo, com remoção de criadouros, aplicação de inseticida e aspiração de mosquitos para análise”, detalhou Ribas.  

Tecnologias e trabalho conjunto – A aspiração dos mosquitos é uma das tecnologias aplicadas no combate à dengue na cidade, em uma parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os mosquitos são levados para laboratório, onde passam por uma análise do corpo do mosquito e da presença do vírus. A Secretaria Municipal de Saúde está trabalhando também em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no desenvolvimento de análises preditivas de casos, ou seja: com base no histórico disponível e nos dados coletados sobre a presença do mosquito, o sistema é capaz de prever onde e quando haverá mais casos da doença, o que permite a organização de ações preventivas e uma melhor preparação do sistema de saúde. Adicionalmente, os drones têm sido aliados importantes na identificação de pontos que podem servir como criadouros dos mosquitos. A plataforma Info Dengue, do Ministério da Saúde, é outra fonte de dados.  

Foto: Rakelly Calliari / NCom

Nada disso substitui, no entanto, as ações individuais de cuidado com os espaços. Nesse sentido, as ações de comunicação e educação têm ocorrido nas redes municipal e estadual de educação. “Temos feito uma divulgação bastante intensa. E usamos o cruzamento da relação das escolas com suas Unidades Básicas de Saúde de referência para fortalecer as ações de saúde nas escolas”, afirmou o representante do Núcleo Regional de Educação, Leonardo Zanoni, que participou da reunião do Comitê junto com a professora Iramar Pamplona. A representante da 17ª Regional de Saúde, Aline Moscato, destacou a importância das parcerias para o combate às arboviroses: “A principal tecnologia neste combate é a humana. É essa soma de esforços que faz a diferença”, pontuou. 

Vacinas – A vacina contra a dengue está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos na rede básica de saúde em Londrina. Nesta semana, o município recebeu ainda as primeiras 900 doses da nova vacina desenvolvida pelo Instituto Butantã, em São Paulo. Esta remessa inicial será destinada à vacinação de agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias do município. 

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