Cidadão

Distrito de Paiquerê recebe 4ª audiência de mobilização do Plano Municipal da Mata Atlântica

Atividade encerra primeira etapa de encontros com a comunidade, que vão gerar um diagnóstico inicial do projeto; consulta pública on-line do PMMA continua aberta para contribuições

Mais uma etapa de apresentação e troca de experiências com a população para a elaboração do inédito Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica de Londrina (PMMA) será realizada neste sábado (28), às 9h, no distrito de Paiquerê (Salão Paroquial na rua Vitório Libardi, 300). Aberto a todo o público, o encontro marca a quarta e última oficina de mobilização social, parte da fase inicial de levantamento de opiniões sobre questões envolvendo as áreas naturais que compõem a Mata Atlântica no município. Não é necessário fazer inscrição para participar.

A intenção da ação é receber e registrar as percepções, anseios e apontamentos da comunidade que ajudarão a formular as diretrizes do novo plano, ferramenta que contribuirá para nortear políticas públicas e ações de preservação e manutenção desse bioma. Para tal, foram convidados representantes de entidades, ONGs, conselheiros municipais, instituições de ensino superior, escolas, entre outras esferas. Dentre esses atores estão a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), apoiadores e partícipes de cada fase do projeto do Plano, mantendo integrantes no Grupo de Trabalho do PMMA.

A equipe da empresa contratada responsável pela estruturação do Plano, a Master Ambiental, compilará todos os materiais obtidos a partir das atividades públicas ocorridas, resultando em um primeiro diagnóstico. Antes dessa audiência, outras três foram realizadas com a mesma finalidade nas áreas rurais de Lerroville (25 de março) e São Luiz (4 de março), e também na sede da Prefeitura de Londrina (11 de março). Sem custos à Prefeitura, o projeto é viabilizado por meio de contrapartida com medida ambiental compensatória de um empreendimento, a partir de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).

Foto: Emerson Dias / N.Com

Durante o encontro em Paiquerê, será feita novamente uma apresentação para mostrar os objetivos gerais do Plano Municipal da Mata Atlântica, apontando a importância e as características das áreas remanescentes de vegetação, fauna e flora no município, a maior parte localizada na área rural. Há ênfase na conservação e restauração desses locais, trazendo à tona fatores históricos dentro do processo de urbanização da cidade.

Quem conduzirá a atividade é o biólogo Eduardo Panachão, coordenador técnico da área de meio biótico da Master Ambiental, empresa especializada de consultoria e engenharia ambiental. Ele frisou que a participação popular é de grande valia para a construção de um plano sólido, bem articulado e que converse com a realidade local e as necessidades ambientais. “Ouvir as pessoas de diferentes localidades, principalmente da zona rural, amplia os horizontes dos estudos e permite um cenário mais produtivo para o desenvolvimento deste Plano Municipal. Precisamos saber o que a comunidade pensa e tem a dizer sobre os remanescentes florestais, a fauna e flora, problemas e possíveis soluções para termos um diagnóstico mais consistente e expressivo. Acredito que a população pode participar mais ativamente desse processo”, disse.

Panachão informou que, após a última reunião em Paiquerê, o projeto entra em uma nova etapa, produzindo um relatório de todas as Oficinas Públicas de Mobilização Social. Isto precederá um próximo momento participativo para a sistematização do diagnóstico proposto. “Nessa fase seguinte, chamaremos novamente a população para apresentar o que compilamos, mostrar mapeamentos e dados atualizados sobre fauna e flora, vegetação nativa e outros componentes da Mata Atlântica na região. Será mais um diálogo para alinhar e aprimorar as estratégias pensadas, elencar próximos passos e avançar na definição de áreas prioritárias e plano de ações, quando o planejamento realmente começará a tomar corpo. Em paralelo, continuamos com uma consulta pública on-line do PMMA aberta até o começo de abril para recebermos visões e sugestões”, explicou.

Além de poder dialogar e tirar dúvidas, o público presente ainda terá a oportunidade de participar de uma dinâmica para compartilhar suas impressões e vivências ligadas à zona rural e áreas onde a Mata Atlântica está.

Para a bióloga Juliana Carneiro Champi, que atua na assessoria de gabinete da Sema e é integrante do Grupo de Trabalho do PMMA, as expectativas para este último encontro são muito boas. “O objetivo é contar com participação expressiva. Esse engajamento reforça a importância de promover mais um momento de diálogo, ampliando a escuta e a participação social. Além disso, entendemos que os principais ativos ambientais estão no meio rural, o que torna fundamental a presença e a contribuição da população do campo nesse processo”, enfatizou.

De acordo com ela, o balanço do projeto até o momento é bastante positivo, especialmente pela diversidade e qualidade da participação nos encontros. “As oficinas de mobilização possuem exatamente esse caráter de escuta e proposições. A intenção é contar com a presença ativa de jovens, professores, comunidade local e líderes comunitários, o que enriquece o processo de levantamento do PMMA, trazendo diferentes perspectivas e fortalecendo o diálogo coletivo”, destacou.

Consulta Pública – A organização do Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica de Londrina ampliou até 4 de abril o prazo de colaboração na consulta pública que foi aberta em fevereiro de 2026. Assim, quem ainda não contribuiu e deseja fazer parte desse movimento participativo pode acessar este link e responder várias perguntas relacionadas à situação da Mata Atlântica, ajudando a subsidiar o diagnóstico em construção. “Tivemos cerca de 300 registros de respostas até o momento. Quanto mais pessoas aderindo, teremos mais força vindo do público. Convidamos todos a dar sua contribuição nesse importante processo”, afirmou Eduardo Panachão.

Foto: Vivian Honorato / Arquivo N.Com

Mais sobre o Plano – O Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica é um instrumento previsto na legislação que orienta como proteger, recuperar e usar de forma sustentável seus remanescentes de Mata Atlântica. A Lei da Mata Atlântica (Lei Federal nº 11.428/2006) prevê a elaboração do PMMA, que está sendo criado em Londrina pela primeira vez. A versão final está prevista para agosto de 2026.

Dentre os objetivos principais estão mapear e diagnosticar as áreas existentes no município, identificar desafios e oportunidades para conservação da biodiversidade, bem como definir ações prioritárias para recuperar áreas degradadas. Ainda integram o rol a promoção do uso sustentável dos recursos naturais, alinhado ao desenvolvimento local, e o fortalecimento da participação social, ouvindo a população quanto a percepções, demandas e expectativas.

Londrina possui remanescentes importantes de Mata Atlântica, associados aos rios, às áreas rurais e a fragmentos florestais urbanos, fundamentais para o equilíbrio ambiental, proteção dos recursos hídricos e bem-estar da população. Por isso, é necessário existir um instrumento eficaz, transparente, justo, aplicável e conectado com a realidade da cidade.

Este mecanismo será uma referência para políticas públicas, projetos ambientais e tomada de decisão sobre a utilização e proteção da vegetação do território da Mata Atlântica, garantindo que Londrina avance com responsabilidade e compromisso com a natureza.

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