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Feira de Empregabilidade para Mães reúne histórias de esperança e recomeço

Evento organizado pela Secretaria do Trabalho, Emprego e Renda contou com parcerias para oferecer atendimento integral às mães que buscam uma oportunidade no mercado de trabalho

Mulheres que desejam uma colocação no mercado de trabalho encontram, nesta quarta-feira (6), uma oportunidade especial na sede da Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Renda (SMTER) em Londrina. Uma feira foi organizada para receber as interessadas, com um suporte estruturado para o atendimento de mães acompanhadas dos filhos, ou que precisem encaminhar os cuidados com as crianças para poderem assumir o compromisso de frequentar uma capacitação profissional, um emprego formal, ou para empreender. Os atendimentos ficarão disponíveis até às 16h, na Rua Pernambuco, 162.

Milene Belli. Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCom

O atendimento foi procurado por pessoas como Milene Aparecida de Souza Belli, mãe do Lucas, de sete anos, e moradora da zona leste de Londrina. Há poucas semanas, ela perdeu o emprego que tinha na área administrativa, e agora está em busca de uma nova oportunidade de trabalho. Ela ficou sabendo da feira por um grupo de WhatsApp, e no evento já pode conversar com diversas empresas, no mesmo local. “Foi uma experiência muito boa, poder participar desta feira, porque ela é voltada para quem tem filhos, como eu. E aí precisa ter um horário flexível para poder deixar o filho na escola, toda essa dinâmica. Foi uma oportunidade muito boa”, avaliou. 

A técnica de enfermagem Janaína Fabiana Carmagnani, mãe de três filhas, também aproveitou a feira para conhecer novas oportunidades. Ela contou que já deixou de trabalhar por um período para se dedicar à maternidade, porque não tinha rede de apoio. Atualmente, a caçula tem nove anos e ela pensa em retornar, preferencialmente a uma jornada reduzida. “Achei um evento muito bom para as mulheres, para as mães. Conciliar o trabalho e o cuidado com os filhos não é fácil”, relatou.  

O secretário municipal de Trabalho, Emprego e Renda, Cesar Makiolke, revelou que a programação foi montada a partir da sugestão dada por uma mãe. “Ela comentou que gostaria muito de ter uma atividade produtiva, mas começou a elencar algumas barreiras que ela encontrava para poder fazer essa reinserção. Convidamos esta pessoa para uma escuta ativa pela equipe da Secretaria e propusemos este movimento. Todas as empresas que estão aqui têm alguma condição exclusiva pensada para as mães”, detalhou.  

Do currículo ao emprego, feira oferta atendimento integral às mulheres. Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCOm

Makiolke ressaltou ainda que várias parcerias foram articuladas para garantir o atendimento deste público. “A gente tem a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres com todo o serviço que é oferecido no dia a dia, apresentando o centro de atendimento, abrigo, todas as trilhas formativas, para atender em plenitude o que a mãe precisa. O Clube das Mães Unidas, em parceria com a Assistência Social, oferta dezenas de oportunidades de qualificações gratuitas, em segmentos como estética, serviço, comércio e costura. A Universidade Estadual de Londrina auxilia na elaboração de currículos. E temos o acolhimento das crianças, com as secretarias de Cultura, de Educação, mais o SESC”, elencou. A organização do espaço e de toda a trilha do atendimento ao público ficou por conta dos servidores Matheus Dantas e Gabriela Forim. 

Central de Vagas da Secretaria de Educação atendeu as mães. Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCom

Outro destaque foi a presença da Central de Vagas da Secretaria Municipal de Educação, analisando cada caso individualmente para auxiliar as mães que precisam deixar os filhos pequenos para poder trabalhar. A secretária da pasta, Thatiane Lopes Araújo, acompanhou a feira e destacou a importância de ações intersetoriais como esta. “Nós sabemos da importância da mãe no ambiente familiar e que muitas mães acabam sendo provadoras do lar. Então, é muito importante que a prefeitura pense com carinho nessa comunidade, nesse público, porque a mãe precisa também ter a sua autonomia, a sua renda. Mas é importantíssimo também, além da oferta de trabalho, a forma como nós conduzimos a educação, que é fundamental para o desenvolvimento da criança”, afirmou. 

Esperança de um novo começo 

Anis Martinez conheceu as empresas participantes da feira e espera logo ter um novo trabalho. Foto: Rhayssa Fernandes / NCom

Para muitas mulheres que procuraram o atendimento da Feria de Empregabilidade para Mães, o momento é de esperança pela oportunidade para um novo começo em sua história de vida. É o caso de Anis Martinez, que imigrou do Peru para o Brasil há cinco meses, acompanhando dos filhos de oito e dois anos de idade, após o falecimento do marido. Depois de conseguir escola para as crianças, agora ela busca um trabalho que permita a rotina de cuidados. “Não tenho quem leve e traga os meninos, porque estou sozinha. Mas sim, vamos ver. Deus queira que logo eu possa estar em uma empresa boa para poder trabalhar”, comentou. 

Com os três filhos já adultos, Sandra Aparecida Felizardo também busca um o começo de uma nova etapa, agora que a neta de três anos está matriculada em um Centro de Educação Infantil e a mãe, que sofria de Alzheimer, faleceu. Ela já trabalha como autônoma junto com o marido, vendendo produtos para a manutenção de piscinas, na zona norte. Mas tem sentido falta de ter uma atividade com maior socialização. “Estou em busca de uma atividade que traga contato com outras pessoas, que dê um novo sentido para a minha vida”, disse ela, que já saiu do evento inscrita em um curso de Marketing. 

Apoio integral para as mulheres 

Atendimento contou com a participação da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. Foto: Rhayssa Fernandes / Estagiária NCom

A assistente social da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Ana Paula Galdin Ramos, levou a divulgação dos serviços da pasta para as participantes da feira, entre eles as oficinas de formação e ações de combate à violência doméstica. “Especialmente em processos de separação ou de violência doméstica, esta mulher precisa primeiro de um apoio para se reorganizar. Existe um preconceito que precisa ser desmistificado. As mulheres querem trabalhar, mas precisam deste apoio, que pode ser social, psicológico ou jurídico”, comentou a profissional. 

De acordo com a secretária da pasta, Marisol Chiesa, a Feira de Empregabilidade para Mães vai muito além da oferta de vagas. “Trata-se de promover dignidade e autonomia para as mulheres, com um olhar humano e estratégico. O ideal é garantirmos que nenhuma mãe precise escolher entre o sustento da casa e o acompanhamento do crescimento de suas crianças. Quando o mercado se adapta para acolher essas profissionais, toda a sociedade ganha em competência, responsabilidade e justiça social”, afirmou.

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