Cidadão

Tradicional Forró do Aluguel ocorre neste domingo (17) na Vila Brasil

Evento na Vila Cultural Casa da Vila apresenta DJ Luciana Telles, Trio Malagueta e culinária típica da Bolívia 

Neste domingo (17), a partir das 19h, a Casa da Vila, localizada na Rua Uruguai, 1.656, sedia mais uma edição do tradicional Forró do Aluguel. A programação apresenta música ao vivo e discotecagem para espantar o frio. O evento conta com venda de bebidas e de saltenhas, pastel assado típico da Bolívia comercializado pelo empreendimento Saltenhas Andinas. O valor da entrada é R$ 15, com pagamento direto na portaria.

O Forró do Aluguel é um projeto cultural promovido na vila cultural desde 2015. A iniciativa foi criada em um período em que o local estava sem financiamento público, com o objetivo inicial de arrecadar fundos para custear o aluguel do imóvel, despesas de água e luz, e sustentar as práticas regulares do espaço, como a Capoeira Angola.

Foto: Divulgação

Hoje, a festa é uma realização da Casa da Vila e do Instituto Cidadania, com patrocínio da Prefeitura de Londrina, via Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) da  Secretaria Municipal de Cultura, e é Ponto de Cultura pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura. 

A atração musical da noite é o Trio Malagueta, acompanhado da discotecagem da DJ Luciana Telles. De acordo com Rodolfo Rainer, responsável pela voz e triângulo do trio, o repertório do grupo transita entre clássicos e produções contemporâneas, com a inclusão de faixas autorais. “Embora toquemos os clássicos consagrados como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Anastácia, Jackson do Pandeiro, Gilberto Gil e Alceu Valença, buscamos constantemente introduzir novidades. O Miguel, nosso sanfoneiro, tem tido muita inspiração e escrito bastante material novo, o que nos permitiu adicionar essas músicas próprias aos shows”, explicou. Segundo ele, a seleção das músicas ocorre de forma coletiva, a partir da pesquisa individual dos integrantes.

A acústica e a estrutura física do espaço interferem na execução do show. “O salão de madeira da Casa da Vila proporciona a sensação de estarmos tocando na sala de casa. Nós nem sequer precisamos microfonar as percussões. Para quem assiste, a experiência é realmente como ouvir uma banda na própria sala de estar: um autêntico trio de forró pé de serra”, relatou Rainer.

O trabalho da DJ Luciana Telles é pautado pela pesquisa histórica e adaptação ao público. “Meu processo de pesquisa musical é muito baseado em escuta, vivência e respeito pela história do forró. Não é apenas selecionar músicas que funcionem na pista, mas entender o contexto delas, a intenção rítmica e a memória afetiva que carregam”, explicou.

A transição entre os formatos musicais é estruturada para manter a identidade da festa. “Penso a discotecagem como uma continuidade da experiência criada pelos trios ao vivo. Existe um cuidado para que as faixas conversem organicamente com grupos como o Trio Malagueta. O critério principal é manter a essência do forró tradicional viva durante toda a noite”, detalhou Telles.

A leitura do ambiente também orienta a seleção das faixas. “Como é um evento frequentado por famílias, dançarinos e pessoas que realmente vivem o forró, eu observo muito a resposta do público em tempo real. Tem momentos em que a pista pede um xote mais cadenciado, outros em que o baião mais acelerado ganha força. A discotecagem vai acompanhando essa energia coletiva”, relatou a DJ.

Para Telles, a manutenção das atividades a preços acessíveis é atrelada aos editais, perspectiva compartilhada pelos artistas. “Projetos como o Forró do Aluguel só conseguem acontecer de forma contínua e acessível porque existem políticas públicas que entendem a cultura como um patrimônio vivo da cidade”, complementou.

O gestor cultural da Casa da Vila, Marcelo Pinhatari, falou sobre o cenário atual da festa. “Mesmo contando hoje com o recurso público do Promic, mantivemos a festa e o nome ‘Forró do Aluguel’ porque se transformou em uma tradição”, detalhou.

O evento também atua como fomento à economia e cultura local. “A festa do forró também é uma oportunidade para pequenos produtores e microempreendedores apresentarem sua gastronomia e venderem artesanato, livros e camisetas”, ressaltou Pinhatari. Ele destacou ainda o papel social da iniciativa. “O forró, assim como todo o trabalho da Casa da Vila, funciona como um espaço de encontro e de articulação política e cultural.”

Para viabilizar as atividades, a instituição mantém constante diálogo com os moradores do entorno. “A relação com a vizinhança é um trabalho constante de negociação e respeito. Como ocupamos o espaço desde 2006, mantemos um diálogo permanente, considerando a rotatividade de moradores na região. Estamos sempre de portas abertas para receber os vizinhos”, afirmou o gestor.

A edição deste domingo (17) ocorre após um intervalo voltado à reestruturação. “Ficamos cerca de três meses sem realizar a festa devido a ajustes internos, pois estávamos renovando o termo de fomento da Casa da Vila e integrando uma nova equipe. E utilizamos esse período para organizar o evento atual”, concluiu Pinhatari.

Texto: João Victor de Souza, estagiário do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina

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