Londrina lança o projeto Escolas mais Verdes nesta quinta (30)
Arborização planejada e educação ambiental caminharão lado a lado nas escolas da rede municipal; iniciativa soma forças das secretarias do ambiente (Sema) e de Educação, junto com a Polícia Militar Ambiental
Mobilizar a comunidade escolar em torno de ações produtivas e educativas que propiciem escolas municipais com ambientes mais arborizados, agradáveis, bonitos e acolhedores. Esse é o foco do projeto Escolas mais Verdes, que será lançado nesta quinta-feira (30), em encontro no Jardim Botânico de Londrina, a partir das 8h. Na ocasião, haverá um momento de sensibilização e apresentação sobre os resultados preliminares e próximas etapas de implantação da iniciativa, que busca aproximar as crianças da natureza, preservar e valorizar o meio ambiente.
Devem estar presentes 42 diretoras e diretores das unidades escolares que participaram do mapeamento e levantamento inicial referente às condições de arborização de suas escolas. Também comparecerão representantes das secretarias municipais do Ambiente (Sema) e Educação (SME), idealizadoras do projeto, e da Polícia Militar Ambiental, parceira e partícipe da iniciativa. Entre os presentes estarão a primeira-dama Juliana Amaral, o tenente Sakai, da Polícia Ambiental, o secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, a secretária municipal de Educação, Thatiane Araújo, a coordenadora de Educação Ambiental da Sema, Amanda Bitencourt, e a coordenadora do Viveiro Municipal, Sirlei de Souza, entre outros gestores.
Nos últimos meses, as 42 escolas que já aderiram fizeram uma varredura sobre suas áreas internas, identificando a situação atual de arborização, pontos disponíveis para plantio, estimativa de mudas necessárias e as adequações que poderão ser realizadas. Esse diagnóstico orientará todas as etapas do projeto ao longo do segundo semestre, quando os plantios estão previstos para iniciar a partir de agosto.
O encontro no Jardim Botânico, amanhã (30), marca o início da fase de implantação, trazendo, entre outros aspectos, os critérios para o planejamento dos plantios, orientações técnicas para preparação dos locais e os procedimentos de acompanhamento das ações. Também será um momento de alinhamento logístico entre todos os envolvidos, estabelecendo fluxos de comunicação, organização das equipes, cronograma de visitas, distribuição de mudas e definição das responsabilidades de cada instituição. Assim, cada unidade poderá organizar sua participação efetiva e envolver a comunidade escolar.

O projeto Escolas mais Verdes, que começou a ser construído em março deste ano, busca arborizar as escolas de forma consciente e planejada para favorecer a criação de microclimas, possibilitar temperaturas mais agradáveis e favorecer a biodiversidade e convivência das crianças junto ao meio ambiente. Também vem para fortalecer a educação ambiental como prática cotidiana nos territórios escolares.
Em sua execução, haverá participação da nova turma de formação de soldados da Polícia Militar do Paraná, via Batalhão de Polícia Ambiental (BPMA-PR), que atuará em parceria com as escolas durante as atividades de plantio. A participação da turma de soldados e do BPMA-PR representa uma importante oportunidade de integração entre segurança pública, educação e preservação ambiental, contribuindo para a construção de uma rede de cuidado com os espaços escolares e com a cidade.
De acordo com o secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, o novo projeto busca consolidar uma política pública permanente de qualificação ambiental dos espaços educativos. “Ao plantar árvores, o município investe em conforto térmico, biodiversidade, educação ambiental e qualidade de vida, reafirmando que o direito das crianças à natureza também se concretiza nos lugares onde elas aprendem, brincam e constroem suas relações cotidianas”, enfatizou.
Cuidado permanente e qualidade ambiental – Cultivar o pertencimento é uma das propostas essenciais deste trabalho integrado e coletivo. “Cada árvore inserida no ambiente escolar representa um investimento no conforto térmico, na biodiversidade, na qualidade ambiental e na formação de crianças que aprendem, desde cedo, que cuidar da natureza é também cuidar da comunidade onde vivem”, disse a pedagoga e educadora ambiental da Sema, Bruna Yamashita, integrante da organização.
A escassez de árvores nas escolas contribui para o aumento da temperatura, reduz o conforto ambiental e limita as oportunidades de convivência das crianças com a natureza. Estudos da Sociedade Brasileira de Pediatria e de diversas organizações dedicadas à infância apontam que ambientes externos mais arborizados favorecem o bem-estar, o desenvolvimento infantil e melhores condições para a aprendizagem.
Yamashita contou que a baixa arborização nas unidades escolares, principalmente nas áreas destinadas às crianças, sempre lhe chamou atenção em sua trajetória de atuação nas escolas. “Não faltava interesse das escolas, mas elas careciam de uma estrutura para viabilizar ações mais concretas, de forma segura e planejada, transformando a vontade em realidade, seja por questões operacionais ou logísticas necessárias. Justamente dessa percepção nasceu o Escolas mais Verdes, pensando em uma política pública articulada de forma intersetorial, capaz de oferecer planejamento técnico, apoio operacional e continuidade às ações de arborização dos espaços escolares”, afirmou.
As espécies arbóreas selecionadas para o projeto foram definidas mediante critérios técnicos, priorizando espécies nativas, com características adequadas para o ambiente escolar. A seleção considerou fatores como capacidade de sombreamento, produção de frutos, porte compatível com pátios escolares e potencial para favorecer a biodiversidade e ampliar as oportunidades de interação das crianças com a natureza.
Intenção é ampliar o alcance – Na primeira etapa, todas as 185 unidades educacionais – entre escolas, Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e Centros de Educação Infantil (CEIs) filantrópicos – foram convidadas a participar voluntariamente desse mapeamento. Deste total, 42 aderiram, sendo 18 escolas, 18 CMEIs e seis CEIs, distribuídos por todas as regiões urbanas e também pela zona rural de Londrina.
Para os próximos anos, a expectativa é ampliar a participação das demais unidades da rede, consolidando um diagnóstico cada vez mais abrangente sobre a arborização dos espaços frequentados pelas crianças e fortalecendo políticas permanentes de qualificação ambiental dos ambientes escolares.
O projeto acompanha uma tendência nacional e internacional de reconhecimento dos espaços naturais como elementos fundamentais para o desenvolvimento integral, a saúde, a aprendizagem e o bem-estar das infâncias. A iniciativa dialoga com um movimento crescente das políticas públicas voltadas à garantia do direito das crianças ao contato com a natureza, princípio que encontra respaldo no artigo 225 da Constituição Federal, que assegura o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
Nesse contexto, destaca-se a tramitação, no Senado Federal, do Projeto de Lei nº 2.225/2024, que busca garantir às crianças e aos adolescentes o direito ao contato com a natureza, ao brincar livre e à educação ambiental, estabelecendo diretrizes para políticas públicas e propondo alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).




