Cidadão

Longa marca estreia de diretora e faz história no cinema de Londrina 

"Palco de Sangue" é o primeiro longa de ficção dirigido por uma mulher na cidade e reúne talentos locais e nacionais 

Londrina é cenário das filmagens de “Palco de Sangue”, longa-metragem que marca a estreia de Roberta Takamatsu na direção de longas de ficção e entra para a história do audiovisual local como o primeiro filme do gênero dirigido por uma mulher na cidade. Produzido pela Filmes com Saquê, em coprodução com a Kinopus e distribuição da A2 Filmes, o projeto conta com patrocínio do Governo Federal, por meio do Edital para Novos Realizadores, além do apoio da Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).  

Cena das filmagens de Palco de Sangue, com o ator Renato Novaes. Foto: Divulgação

Ambientado na Londrina do início da década de 90, o filme acompanha a investigação do assassinato de uma atriz na véspera da estreia de um espetáculo durante um festival de teatro. Misturando suspense policial e elementos sobrenaturais, a narrativa percorre diferentes espaços da cidade enquanto acompanha a busca da jovem jornalista Ana por respostas sobre o crime e sobre a misteriosa ligação que mantém com a vítima. 

Para Roberta Takamatsu, dirigir seu primeiro longa de ficção tem sido uma experiência intensa, especialmente pela dimensão da produção. “Os maiores desafios enquanto diretora são manter a coerência narrativa do filme, conduzir os atores dentro da atmosfera da história e manter o set um ambiente agradável para equipe e elenco”, explicou. Segundo ela, trabalhar em um ambiente acolhedor também contribui para que as decisões criativas aconteçam de forma mais intuitiva durante as filmagens. 

A escolha de ambientar a história em Londrina no início dos anos 90 também dialoga com a trajetória da diretora e com a memória da cidade. Roberta contou que buscava retratar o clima das antigas redações de jornal e, durante a pesquisa, encontrou um período de intensa movimentação cultural e esportiva no município. “A cidade se torna parte da narrativa na medida em que a morte da atriz Laura mobiliza toda a imprensa e a polícia local, que passam a cruzar vários pontos da cidade durante a investigação”, disse. 

Ator Claudio Jaborandy com a diretora Roberta Takamatsu. Foto: arquivo pessoal

Além de nomes reconhecidos nacionalmente, o elenco reúne diversos artistas londrinenses, proposta que, segundo a diretora, fortalece o intercâmbio entre profissionais e amplia a visibilidade da produção local. “Acreditamos nos atores daqui e sabemos que, para eles, é muito importante contracenar com profissionais de outras regiões do país. O objetivo maior é contribuir para que os atores locais tenham mais visibilidade e também sejam convidados a fazer filmes fora de Londrina”, destacou. 

O longa também representa um marco para o cinema produzido na cidade. Embora Londrina já tenha outras produções ficcionais realizadas por produtoras locais, “Palco de Sangue” é o primeiro longa de ficção dirigido por uma mulher. Para Takamatsu, mais do que um reconhecimento individual, essa conquista representa uma oportunidade de incentivar outras cineastas. “Espero apenas que esse projeto estimule mais mulheres a dirigirem seus longas de ficção na cidade e que a gente tenha mais visibilidade para o nosso cinema”, afirmou. 

Com quase duas décadas de atuação no audiovisual londrinense, a diretora acompanhou de perto o crescimento do setor, passando por funções como estagiária de produção, assistente de direção, roteirista e produtora até chegar à direção de um longa de ficção. Para ela, o momento é de expansão, mas ainda há espaço para novos avanços. “As minhas expectativas são para que esse cenário continue crescendo, sempre de forma igualitária e justa, e que possamos construir um cinema inclusivo e com visibilidade”, concluiu.  

As filmagens de “Palco de Sangue” seguem até 8 de agosto e somam 25 diárias de filmagem em diferentes locações de Londrina, reunindo profissionais da cidade e de outras regiões do país em uma produção que reforça o crescimento do audiovisual londrinense.  

Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina 

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