Educação inicia campanha de hanseníase nas escolas
Cinco unidades escolares desenvolverão o projeto que visa levar mais informações sobre a doença para cerca de 1.500 crianças

Para falar sobre a hanseníase e desmistificar os preconceitos embutidos nela, a Secretaria Municipal de Educação – em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde e o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) – deu início à Campanha Nacional de Hanseníase e Verminoses. A abertura oficial foi realizada na tarde da última terça-feira (20), no Cismepar.
Até o mês de junho, cinco escolas municipais participarão da campanha, cujo objetivo é conscientizar as famílias a respeito do diagnóstico da doença, por meio dos próprios alunos. Para isso, uma equipe técnica formada por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde e do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) visitará as escolas municipais Professor Moacyr Teixeira, Vila Brasil, Irene Aparecida da Silva, João XXIII e a Francisco Pereira Almeida Junior.
Os profissionais vão capacitar os professores sobre a hanseníase, formas de diagnóstico, de tratamento e as medidas para o fim do preconceito aos portadores da enfermidade. Além disso, eles darão palestras para as 1.500 crianças, de 6 a 14 anos, matriculadas nestas escolas. Na oportunidade, os estudantes poderão tirar suas dúvidas sobre a hanseníase, saberão mais sobre o teste de sensibilidade, a importância de se observar alterações na pele, como o aparecimento de manchas e levarão para casa o teste.
O teste de sensibilidade consiste em um desenho do corpo humano, em que, na figura, a criança preenche as áreas que ela e seus familiares identificam manchas, caroços e outras lesões cutâneas com alterações de sensibilidade na pele. Os pequenos também respondem a um questionário que aborda possíveis dores, coceiras ou insensibilidade nas áreas informadas. Tudo isso auxilia os profissionais da saúde a diagnosticarem o possível aparecimento da hanseníase. Após a finalização dos desenhos e do preenchimento dos questionários, os documentos são avaliados pela equipe escolar, que encaminha os casos suspeitos aos profissionais da saúde. Essas crianças passam por avaliação médica especializada e, caso seja constatada a doença, elas são direcionadas ao tratamento.
Para a responsável pelos projetos pedagógicos da Secretaria Municipal de Educação, Carla Cordeiro, é importante que o município participe de campanhas como essa para levar mais conhecimento às crianças e seus familiares, a fim de diminuir o preconceito e a falta de informação que ainda existe sobre a doença. “Ainda existe muito preconceito em relação à hanseníase. Há pessoas que pensam que ela é contagiosa, que se transmite encostando na pessoa portadora da doença, e o projeto tem como objetivo falar mais sobre isso, esclarecer as dúvidas, e trazer informações para os alunos e seus familiares, por isso mesmo existem atividades que as crianças devem fazer em casa, com a ajuda de seus responsáveis”, explicou.
Sobre a doença – A hanseníase é uma doença crônica e infectocontagiosa, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela é transmitida por via respiratória, através da tosse, espirro ou pelas gotículas de saliva, como a gripe, por exemplo. Somente transmitem a doença as pessoas em estágio mais avançado e sem tratamento. Isso porque, é necessário ter uma grande quantidade do bacilo para expeli-los no ar. Em Londrina, os cidadãos que suspeitarem da doença devem procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência. Após o exame clínico, se constatada a suspeita, o paciente deve ser encaminhado aos exames específicos e para a biópsia. O tratamento é totalmente gratuito e oferecido pela rede pública de saúde.
As crianças menores de 15 anos são acompanhadas e tratadas no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). Já os adultos recebem atendimento na Policlínica de Londrina. O tratamento é por meio de medicamento via oral e acompanhamento médico. Em estágios iniciais, ele dura seis meses para ser finalizado; em graus mais avançados, é preciso 12 meses para conclusão.
Outras ações – Além de abordarem as questões sobre a hanseníase, as crianças cujos os pais autorizarem poderão receber atendimento de uma equipe de enfermagem da Secretaria Municipal de Saúde. Eles ministrarão medicamentos para verminoses durante o período da campanha.