Cidadão

Festival Quati Criança! une teatro, imaginação  e preservação ambiental em programação gratuita 

De 14 a 22 de março, festival reúne em Londrina grupos de várias regiões do país em espetáculos e vivências que incentivam as infâncias a descobrirem o mundo pelo olhar da arte e do contato com a natureza

Londrina se transformará em um grande palco a céu aberto dedicado às artes para as infâncias durante a primeira edição do festival Quati Criança!, que começa neste sábado (14) e apresenta uma programação gratuita até domingo, dia 22 de março. Ao todo, serão dez espetáculos, quatro oficinas, cinco vivências e dois bate-papos produzidos por grupos e artistas locais vindos do Amazonas, Ceará, Minas Gerais e São Paulo. A programação integral, com sinopses e outros detalhes, está no site www.quaticrianca.com, com informações atualizadas para o caso de chuva. O Quati Criança! é uma produção da PÁ! Artística, por meio de projeto aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná (PROFICE), da Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Paraná, com apoio exclusivo da Copel – Pura Energia.

Nesta primeira edição, o festival toma como tema a sonora pergunta “Cadê tu, Quati?”, propondo aos pequenos o desafio de percorrer a programação como em uma expedição por diferentes domínios da natureza – que ambienta os espetáculos – e encontrar neles o arquétipo do aventureiro, do explorador, do curioso – que, no fim das contas é o retrato da própria alma infantil, que percebe o mundo com olhar sempre renovado e permite-se à experiência do sentir. Uma lição, aliás, para o embrutecimento da vida adulta. Neste sentido, as crianças são as mestres e protagonistas do evento.

Os diretores e idealizadores do festival, Álvaro Canholi e Carin Louro, explicam que a curadoria foi uma experiência lúdica, conduzida pelo artista e professor Eduardo Gasperin. “Crianças de 6 a 12 anos de diferentes territórios da cidade foram convidadas para esse processo e criaram um manifesto com pistas para pensarmos o teatro, as artes da cena e, sobretudo, para pensarmos um festival para e com as crianças”.

“Dessa experiência, nós, direção artística e curadores adultos, buscamos nos conectar com as provocações lançadas pelas crianças para construir a programação. Isso foi fundamental para ampliarmos as nossas perspectivas sobre as relações entre as artes da cena e as infâncias”, diz Louro.

“O verdadeiro desafio foi construir um festival junto com as infâncias, que compreenda a criança como um ser que não é ingênuo, que tem vontades, que tem desejos, que sabe escolher o que quer e que é especialista. Essa é a grande novidade desse festival”, completa Canholi.

Espetáculos – Num jeitinho bem brasileiro, as águas de março fechando o verão abençoam a estreia do Quati Criança!. Como toda boa lenda do nosso folclore traz um elemento surpresa, os seres da floresta resolveram visitar a cidade. Assim, a abertura do festival, neste sábado (18), será no Royal Plaza Shopping, às 18 horas, quando a Trupe de Truões, de Uberlândia (MG), apresenta a montagem “M’Bae Tatá”, mergulhando na lenda do Boitatá. Com máscaras, bonecos, música e acrobacias, o espetáculo mistura causos populares, cantorias e histórias de benzedeiros para revelar os mistérios desse guardião da floresta.

No domingo (15), a programação segue na Divisão de Artes Cênicas (DAC) da UEL em dois horários. O grupo londrinense Papo Corpóreo apresenta “Berço de Espuma”, uma experiência sensorial pensada para bebês de 3 meses a 4 anos. Em duas sessões, às 10h e às 16h, a obra combina poesia, música, luz e objetos em um delicado jogo de estímulos e descobertas. No Parque Arthur Thomas, às 15 horas, o público poderá acompanhar “In Concertina”, do londrinense Tiago Marques, o Palhaço Ritalino. Na montagem, Ritalino tenta realizar um concerto perfeito, mas tudo dá errado. E, do erro, surgem as situações mais divertidas e poéticas.

Na terça-feira (17), o Quati Criança! viajará com o grupo Ás de Paus até a Aldeia Apucaraninha, onde os londrinenses apresentarão “Encontro de Gigantes”, uma aventura bem-humorada em que dois personagens aguardam um misterioso encontro e acabam descobrindo a magia das pernas-de-pau. O espetáculo se repete na quarta (18), no Distrito de Lerroville, e na quinta (19), no Distrito do Espírito Santo, sempre às 14 horas.

No Palco Flutuante do Lago Igapó, às 10 horas de quarta (18), a companhia FUTURA (SP) apresenta “Pé Grande”, uma intervenção de dança contemporânea que transforma caminhada em brincadeira e convida o público a enxergar a cidade como um espaço de imaginação. Ainda na quarta, às 14 horas e 19h30, no Sesc Cadeião, a companhia As Caetanas, de Londrina, apresenta “Mundus Eurídice”, uma jornada cósmica e poética que conta a história de duas cientistas que investigam rastros de amor no universo, enquanto revisitam a história de Orfeu e Eurídice.

O Sesc Cadeião segue palco do Quati Criança! na quinta (19), às 19h30. Vinda de Quixeré (CE), a Trupe Motim apresenta “Bicho Alumbroso nas Entranhas do Encanto”, que acompanha uma criatura híbrida inspirada no folclore nordestino em busca de suas origens, reunindo música, dança e teatro de animação.

Foto: Hamylle Nobre

No fim de semana, a programação toma conta do Cine Teatro Ouro Verde. Na sexta (20), às 20 horas, o clássico “História do Barquinho”, da Casa Realejo de Teatro (SP), conta a jornada do pequeno barco Pingo I, que sonha em navegar pelo mundo em busca da flor Irupê. O convite para esta obra e estes artistas é uma homenagem do Quati Criança! ao histórico grupo Ventoforte, que revolucionou a cena para as infâncias no país, já que foi criada pelo diretor Ilo Krugli há mais de 60 anos, encantando gerações com sua narrativa poética sobre coragem, liberdade e crescimento. No sábado (21), às 20 horas, “As Cores da América Latina”, da Panorando Cia, de Manaus (AM), apresenta, com máscaras, música e dança, uma explosão de ritmos e tradições inspiradas em manifestações culturais do Chile, Peru e Brasil.

No domingo (22), encerrando o festival, Evan Teixeira, de Fortaleza (CE), apresenta “O Barquinho e o Seu Pescador” no Sesc Cadeião às 17 horas. A história, cheia de música, bonecos e teatro de sombras, fala sobre amizade, natureza e cuidado com os oceanos.

Vivências artísticas – O Festival Quati Criança! também abre espaço para experiências de criação e aprendizado com as vivências artísticas, atividades gratuitas que convidam crianças a mergulhar em histórias, culturas e processos criativos. Na terça (17), às 10 horas, no Parque Arthur Thomas, a artista Silvia Castro conduz a oficina “Nós que contam histórias – Oficina de Abayomi”, voltada para participantes a partir de 10 anos. Inspirada na tradição africana das bonecas feitas com retalhos e nós, a atividade apresenta às crianças o significado cultural das abayomi enquanto elas criam suas próprias bonecas, em um momento de imaginação, afeto e valorização da diversidade cultural.

Nos dias 17, 18 e 19, após a exibição do espetáculo “Encontro de Gigantes”, na Aldeia Apucaraninha e nos Distritos de Lerroville e Espírito Santo, os integrantes do Núcleo Ás de Paus levam crianças de todas as idades para uma vivência com pernas-de-pau, em um espaço de compartilhamento e integração das famílias, para que todos os participantes se ajudam na brincadeira. Os artistas irão disponibilizar toquinhos e perninhas-de-pau para que as crianças possam vivenciar a experiência de se agigantar ao usar este instrumento milenar.

Já na quinta (19), também às 10 horas, o Parque Arthur Thomas recebe Robson Ogumsola e Letícia Pocaia para a contação “Heróis africanos: duas crianças que salvaram o mundo”. A dupla chama o público de 6 a 9 anos a conhecer um “Itan”, narrativa de origem nigeriana que fala sobre coragem, alegria e sabedoria. Na história, duas crianças enfrentam a força da morte usando inteligência, riso e cuidado para lembrar ao mundo a importância de viver.

Na sexta (20), às 10 horas, o público de 7 a 12 anos poderá participar da “Oficina do Encanto”, conduzida pela Trupe Motim de Teatro, do Ceará. A atividade apresenta lendas e personagens do folclore nordestino que inspiraram o espetáculo “Bicho Alumbroso nas Entranhas do Encanto”. Depois de ouvir histórias e conhecer máscaras e bonecos usados na cena, as crianças são levadas a desenhar e criar seus próprios seres encantados por meio do uso criativo de materiais reciclados.

Encerrando a programação de vivências, no sábado (21), o Prof. Dr. Mauro Roberto Rodrigues, o Mauro Amarello, vai apresentar “Como vivem as marionetes – breve vivência para animar marionetes”, uma dinâmica baseada em jogos teatrais de curta duração, exercícios sobre a alma da marionete em cena, sua matéria e a criação de sentidos na presença cênica. Será no Sesc Cadeião, às 15 horas.

Oficinas – Ainda como parte prática da programação, as oficinas gratuitas ampliam o diálogo sobre arte para as infâncias, enquanto tratam de temas ligados à natureza e ao meio-ambiente. Na segunda (16), o mineiro de Uberlândia Ronan Vaz dialoga com graduandos na oficina “Teatro para crianças e jovens: princípios e práticas” e o londrinense Tiago Marques, que dá vida ao Palhaço Ritalino, recebe todas as pessoas interessadas na oficina “Palhaçaria: poesia em cena”. Já na quinta (19), a londrinense Andrea Pimenta apresenta “Corpo presente na primeira infância” e o cearense Evan Teixeira foca na inicialização teatral com a proposta “Brincar, imaginar e expressar”. Todas as oficinas requerem inscrições prévias por meio de formulário online no site.

Encontros – O Festival Quati Criança! também promove momentos de reflexão e troca de experiências por meio de bate-papos gratuitos que colocam a arte para as infâncias em pauta. Na segunda-feira (16), às 15 horas, no Kings Café, acontece o encontro “Arte para as infâncias no centro da roda”, com participação de Gilza Santos, Valdir Grandini, Marina Stuchi e Ricardo Dalai e mediação de Renato Forin Jr.

Já na sexta (20) de março, às 15 horas, também no Kings Café, o festival celebra o Dia Nacional do Teatro para a Infância e Juventude com o bate-papo “Infâncias e as artes da cena no Brasil”, mediado por Carin Louro. O encontro reúne representantes de importantes grupos do país, como Panorando Cia (Manaus), Casa Realejo de Teatro (São Paulo), Trupe de Truões (Uberlândia), Trupe Motim de Teatro (Quixeré) e o artista Evan Teixeira (Fortaleza).

De acordo com Carin Louro, os bate-papos foram pensados como momentos de diálogo e troca de experiências sobre a presença das crianças no contexto estético. A proposta é ampliar o olhar para as artes da cena, termo que reúne as diferentes linguagens presentes na programação do festival, como teatro, dança e intervenções urbanas, e reforça a ideia de encontro entre linguagens.

“Mais do que discutir a presença das crianças apenas como público, a intenção é refletir sobre como elas podem participar de diferentes etapas do processo artístico, inspirando novas formas de criação e programação voltadas às infâncias”, diz Louro.

Ela destaca ainda que esses encontros inauguram um caminho que o festival pretende aprofundar nas próximas edições, com a criação de um espaço permanente de debates e seminários dedicados ao assunto. A ideia é reunir artistas, pesquisadores e grupos de diferentes regiões para compartilhar experiências e pensar o futuro das artes voltadas às infâncias.

“Quando pensamos em um festival para crianças, também pensamos no futuro. Essas crianças podem se tornar artistas, criadoras ou pessoas que irão valorizar a arte. E pensar o futuro também envolve refletir sobre sustentabilidade e nossa relação com a natureza”, conclui Carin Louro.

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