Grupo JAE promove roda de conversa sobre arte e inclusão na Biblioteca Central
Atividade aberta ao público será realizada nesta quinta-feira (30), com atenção especial a familiares, cuidadores e profissionais que atuam com pessoas com deficiência
A Biblioteca Pública Municipal “Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza” sedia, nesta quinta-feira (30), uma roda de conversa com o tema “Arte e Inclusão”. Promovida pelo Grupo JAE – Jovens Artistas Especiais, essa atividade é aberta ao público em geral, mas o convite é feito especialmente aos familiares, cuidadores e profissionais que atuam com pessoas com deficiência. Isso porque a proposta do encontro, que começa às 14h, é debater o papel da arte como ferramenta de transformação, autonomia e protagonismo para pessoas com deficiência. A Biblioteca Pública fica na avenida Rio de Janeiro, 413.
Conduzida pela psicopedagoga e psicomotricista Silvia Crusiol, a atividade faz parte da programação que comemora os 10 anos do Grupo JAE. O projeto utiliza a dança, o teatro e o movimento como instrumentos de desenvolvimento de jovens e adolescentes com deficiência; e conta com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). As ações previstas para celebrar esse marco do JAE são: quatro apresentações de dança seguidas de workshop de dança, duas oficinas de teatro, duas rodas de conversa sobre Arte e Inclusão para famílias atípicas, uma exposição sobre os 10 anos do Grupo JAÉ e um espetáculo teatral.
Para garantir a acessibilidade de todo o público interessado em participar, a roda de conversa será realizada no piso térreo da Biblioteca. A diretora de Bibliotecas da SMC, Zoraide Gasparini, comentou que os eventos organizados pelo Grupo JAE devem percorrer diferentes espaços e regiões da cidade, proporcionando aos artistas com deficiência que estejam presentes, sejam vistos e se expressem artisticamente. “Além disso, o projeto tem a proposta de realizar atividades formativas e reflexivas, tanto para pessoas com deficiência, quanto para famílias e demais pessoas interessadas na arte e inclusão”, acrescentou.
Sobre a Biblioteca Central receber esse encontro de pessoas com deficiência, Gasparini citou que é uma oportunidade para estimular a modernização do espaço e a atualização das coleções, por meio da aquisição de obras em Braille, com comunicação alternativa, pictogramas ou leituras fáceis, bem como promover o desenvolvimento de habilidades da sua equipe para um atendimento ainda mais humanizado e qualificado. “Uma roda de conversa voltada para famílias atípicas em uma biblioteca pública visa dar voz, visibilidade e suporte a essa comunidade. O objetivo principal é criar um espaço seguro de escuta ativa, troca de vivências e construção coletiva de caminhos para a acessibilidade e a inclusão”, enfatizou.
A diretora de Bibliotecas da SMC complementou que é importante oferecer um ambiente livre de julgamentos, no qual cuidadores, pais e as pessoas atípicas possam compartilhar seus conhecimentos, conquistas e rotinas. “Essa atividade também visa conectar as famílias com os recursos, serviços e acervos acessíveis já disponíveis na biblioteca e na rede pública do município. O projeto prevê dez sessões, porém este encontro será o único realizado na Biblioteca Pública. É uma oportunidade para que as pessoas sintam-se pertencidas ao ambiente, que a Biblioteca Pública as pertença e que este espaço seja ocupado por elas”, ressaltou.

Atuando no JAE há cerca de 10 anos, Silvia Crusiol possui ampla experiência nas áreas de desenvolvimento humano e inclusão. Em relação ao tema dessa roda de conversa, ela destacou que a arte é importante para o processo de desenvolvimento enquanto ferramenta de autonomia para as pessoas com deficiência. “É uma ferramenta poderosa porque ela dá liberdade para as pessoas, oferece ao PCD um espaço que não tem juízo de valor, pois não pode ser julgada. A arte é muito pessoal. E como eles dançam, da forma como dançam, fazem o teatro, fazem todas as situações de acordo com o potencial de cada um. Isto é o mais importante. E a arte tem sido um espaço para eles se comunicarem”, citou.
Segundo Crusiol, o corpo fala através da arte, e é uma maneira da pessoa com deficiência expor seu potencial para o mundo. “Mostrar que ela consegue realizar alguma situação viável para ser apresentada. E um projeto como o JAE, que acolhe a pessoa com deficiência e trabalha a dança, o teatro, a criatividade, oferece a nós, a comunidade, a condição de poder entender essa pessoa, valorizar a sua atividade e o grupo com quem eles convivem”, afirmou.
A psicopedagoga reforçou a necessidade de outros projetos, sociais e culturais, acolherem o público PCD entre seus participantes. “O Grupo JAE é um espaço que acolhe as pessoas com deficiência, que tem um grande potencial. Mas nós precisamos de mais espaços para que eles possam levar sua arte, pois isso é inclusão: estar com pessoas de diferentes potenciais desenvolvendo uma atividade. E de mais projetos que ajudem financeiramente, porque os pais têm muitas dificuldades. Esse momento que nós estamos vivendo agora, nessa valorização pelo Promic, é muito importante. A nossa sociedade precisa entender o quanto nós temos de crianças que vão precisar de ajuda, como o JAE tem feito e auxiliado”, completou.




