Projeto “Do Sonho ao Verso em Cartas” incentiva escrita criativa entre estudantes
Iniciativa viabilizada pelo Promic promove oficinas de escrita em escolas da rede municipal e reúne produções em livro coletivo
Transformar sonhos, memórias e sentimentos em palavras é a proposta do projeto cultural “Do Sonho ao Verso em Cartas”, que levou oficinas de escrita criativa para estudantes de escolas públicas de Londrina. Viabilizada pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), a iniciativa utilizou a escrita de cartas como ferramenta para estimular a criatividade, fortalecer a leitura e a escrita e incentivar crianças e alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) a expressarem suas vivências. Nesta segunda edição, o projeto envolveu 317 estudantes, de 18 turmas distribuídas em quatro escolas municipais, que tiveram seus textos reunidos em um livro coletivo.

Idealizadora, coordenadora e facilitadora de parte das oficinas, Bruna Bolognesi Sabino contou que o projeto surgiu em 2024 a partir do desejo de criar um espaço em que os estudantes pudessem falar sobre si por meio da escrita. “A ideia surgiu do desejo de criar um espaço de escuta e sensibilidade para crianças da cidade de Londrina, usando o universo dos sonhos como ponte para a expressão poética e o autoconhecimento dos estudantes”, explicou. Após a primeira edição, voltada para turmas do 5º ano, o projeto passou a atender também estudantes da EJA, ampliando seu alcance.
Ao longo das oficinas, os participantes escreveram cartas inspiradas em suas histórias, expectativas e sonhos, trocaram correspondências com estudantes de outras escolas e produziram papéis artesanais, vivenciando todas as etapas até a publicação dos textos. A proposta buscou apresentar a escrita como uma forma de comunicação e expressão, aproximando os estudantes da literatura por meio de uma experiência prática e afetiva.

Segundo Sabino, a escolha da carta como eixo do projeto também dialogou com a necessidade de resgatar formas mais sensíveis de comunicação. “A carta é um gênero textual intimista, afetivo e democrático. Ela exige desaceleração, pausa e presença, além de exercitar a empatia, o cuidado com a palavra e o autoconhecimento para se expressar de forma verdadeira”, afirmou. A coordenadora destacou que muitos participantes nunca haviam escrito uma carta, tornando a experiência ainda mais significativa.
Mais do que desenvolver habilidades de leitura e escrita, o projeto também promoveu mudanças na forma como os estudantes enxergam suas próprias histórias. Para Sabino, um dos momentos mais marcantes aconteceu quando eles perceberam que seus sonhos e experiências têm valor. “A maior transformação foi ver os participantes reconhecendo o valor dos seus sonhos, tanto no ato de escrever quanto quando recebiam as cartas enviadas de outras escolas”, contou. “A autoconfiança que desenvolveram nesse processo também foi algo significativo”, completou.
Os impactos também foram percebidos pelas escolas participantes. A coordenadora pedagógica da Escola Municipal Irene Aparecida da Silva, Juliana Gonçalves, explicou que a proposta foi recebida com entusiasmo por contribuir para o desenvolvimento integral dos estudantes e tornar a aprendizagem mais próxima de suas vivências. “As oficinas contribuíram não apenas para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, mas também para a formação de estudantes mais participativos, criativos, sensíveis e confiantes em sua capacidade de produzir e comunicar suas próprias histórias”, destacou. Segundo ela, quando a produção dos alunos é valorizada, eles passam a compreender que suas ideias e sentimentos têm importância, fortalecendo o protagonismo e a relação com a escola, situada no Jamile Dequech, zona sul.

A diretora da Escola Municipal Elias Kauam, Márcia Cristina Paglia Sampaio, também ressaltou a importância de iniciativas que complementam o trabalho desenvolvido em sala de aula e estimulam os estudantes a enxergarem novas possibilidades por meio da escrita. “Oferecer esses espaços é muito importante para o desenvolvimento integral do educando através dos seus sonhos, transformando tudo isso em escrita”, afirmou. Segundo ela, os alunos relataram entusiasmo com as oficinas por vivenciarem uma metodologia diferente da rotina escolar. “Eles relataram que gostaram muito da oficina, que acharam diferente a maneira que trabalham e como é gostoso participar de atividades com pessoas diferentes daquelas que estão todos os dias na escola”, contou.
Como encerramento desta edição, os textos produzidos durante as oficinas foram reunidos em um livro coletivo, que será entregue aos participantes, às bibliotecas das escolas envolvidas e às bibliotecas públicas de Londrina. O lançamento da obra, previsto para 24 de setembro, contará com uma sessão de autógrafos na Biblioteca Pública Municipal de Londrina, celebrando a trajetória dos estudantes como autores.
Para Bruna, esse momento representa o reconhecimento da voz de cada participante. “Quando um estudante vê o seu texto publicado em um livro impresso, ele se reconhece como autor da sua própria história. Não é só a entrega de um livro, é a celebração do direito à literatura, ao sonho e ao pertencimento”, concluiu.
Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




