Oficina de Cerâmica promove arte, ancestralidade e conexão com o fazer manual
Com seis vagas, atividade será realizada nos dias 19 e 26 de setembro, na Casa da Vila; inscrições seguem abertas até 10 de setembro
Uma oportunidade para experimentar a cerâmica como prática artística e de conexão com a ancestralidade será oferecida nos dias 19 e 26 de setembro, em Londrina. A Oficina de Cerâmica será das 18h às 20h, na Casa da Vila, localizada na Rua Uruguai, 1656, na Vila Brasil. Com apenas seis vagas, a atividade tem investimento de R$100 e inclui os materiais utilizados e a queima da peça produzida. As inscrições podem ser feitas até 10 de setembro pelo Instagram @atelie_terraquea ou pelo telefone (32) 99816-0331.
Mais do que aprender uma técnica, a proposta é proporcionar aos participantes uma experiência de criação manual a partir do barro. Durante os encontros, a arte-educadora e professora de artes Carla Aparecida Munhoz irá apresentar diferentes simbologias relacionadas ao vaso de cerâmica, incluindo aspectos ligados à terra, à transformação e a práticas ancestrais.
A atividade acompanha uma tendência de valorização das manualidades como hobbies e formas de desacelerar a rotina. Para a instrutora, o crescimento do interesse por trabalhos artesanais está relacionado à busca por momentos de presença e expressão criativa. “A humanidade tem buscado algo compensatório que contraponha a rigidez, a correria do dia a dia, algo que traga presença com qualidade e inteireza, a cerâmica faz isso muito bem”, afirmou.
Segundo a professora, a cerâmica também permite que o participante vivencie o processo de criação sem necessariamente buscar um resultado estético sofisticado. “A cerâmica é o puro ato de criação, a materialidade do barro que se transforma através das mãos proporciona para quem pratica principalmente presença e observação”, contou.
Por isso, não é necessário ter experiência anterior para participar. Durante a oficina, os participantes irão confeccionar um vaso simples utilizando duas técnicas: pinch pot, feita a partir da modelagem manual do barro, e a técnica de acordelado, que utiliza rolinhos de argila para construir a peça.
A proposta também inclui uma conversa sobre a simbologia do vaso em diferentes perspectivas. A arte-educadora irá apresentar imagens e exemplos de recipientes utilizados historicamente em rituais, abordando a relação entre a terra, o corpo e a fertilidade. “De forma ancestral, abordarei a cerâmica onde era um artifício destinado apenas a mulheres, onde era considerada sagrada a relação da terra com o corpo”, explicou.
Além da parte prática, a dinâmica pretende criar um ambiente de troca entre os participantes. A professora conta que costuma iniciar suas oficinas com uma roda de conversa e alguns movimentos coletivos antes de partir para a prática. “Nas minhas oficinas normalmente gosto de me conectar com uma roda, fazer uns passinhos juntos, abrir a fala e depois partir para a prática e conversa, onde seguimos fazendo, pensando e sentindo”, disse.
A experiência com o barro também envolve lidar com o tempo e com possíveis imprevistos do processo. A peça produzida será queimada posteriormente, em data ainda a ser combinada, e a instrutora das oficinas destacou que até mesmo a possibilidade de a peça quebrar ou estourar durante a queima faz parte da experiência. “O segredo é ir sem grandes pretensões e estar aberto ao processo e poder sentir e estar presente”, afirmou.
O interesse por atividades manuais também tem sido percebido pela programação da Casa da Vila. Segundo o coordenador da programação cultural do espaço, Gabriel Navas, oficinas de diferentes linguagens artísticas têm despertado a atenção do público. “Recentemente tivemos oficinas como de xilogravura, aquarela e até cerâmica fria que são voltadas a esse trabalho manual e muitas pessoas se interessaram, então é um tipo de atividade cultural que queremos oferecer mais na Casa da Vila”, contou.
Para Navas, a oficina também dialoga com a identidade cultural do espaço por trabalhar a ancestralidade. “É muito importante para nós como uma vila cultural aqui da cidade ter ações que trabalham conceitos como ancestralidade, ainda mais com alguém tão engajada no tema como a Carla”, afirmou.
A Casa da Vila também abriga a Biblioteca Preta e oferece atividades como a Capoeira Angola, que, segundo o coordenador, têm a ancestralidade como um dos pilares. A realização da oficina de cerâmica, portanto, amplia a programação do espaço com uma atividade artística manual que une criação, história e experimentação.
A intenção é que novas atividades desse tipo sejam realizadas futuramente. “Com certeza temos interesse em oferecer novas atividades artísticas manuais, tanto pelo sucesso de pessoas interessadas em participar quanto pelo que isso significa para nós como um espaço livre para artistas locais”, completou Navas.
Texto: Laura Gonçalves, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




