“Mundus Eurídice” retorna à Divisão de Artes Cênicas com apresentações gratuitas
A montagem de As Caetanas Cia de Teatro une ciência, mitologia e poesia em uma experiência imersiva com bate-papo com o público
As Caetanas Cia de Teatro apresenta, nos dias 1º de agosto (sábado) e 2 (domingo), às 20h, na Divisão de Artes Cênicas (DAC), o espetáculo “Mundus Eurídice”. São apenas 100 ingressos por apresentação da montagem, que tem classificação livre e entrada gratuita. Eles estão disponíveis antecipadamente pelo Sympla. Após cada sessão, às 21h, haverá um bate-papo com as artistas. A ideia é proporcionar ao público uma experiência que aproxima ciência, mitologia, filosofia e poesia para refletir sobre memória, afetos e as diferentes formas de conexão entre as pessoas. A Divisão de Artes Cênicas (DAC) da UEL fica localizada na Avenida Celso Garcia Cid, 205, Centro.

Em uma narrativa que combina ciência, mitologia e poesia, o espetáculo propõe uma viagem pelo cosmos para discutir temas universais. Em cena, duas cientistas investigam vestígios concretos de uma memória de amor ao revisitar o mito de Orfeu e Eurídice. Entre sedimentos, minerais e corpos celestes, a narrativa estabelece relações entre as luas Io, de Júpiter, e Miranda, de Urano, utilizando elementos científicos e poéticos para abordar questões sobre existência, comunicação e pertencimento.
Inspirada pelo desejo de compreender as diferentes formas de conexão humana, a atriz e dramaturga Rafaela Martins explica que o espetáculo nasceu de uma pesquisa que reuniu referências da astronomia, da literatura, da filosofia e da mitologia para construir uma narrativa capaz de dialogar com diferentes públicos. Segundo ela, a proposta utiliza o universo cósmico como metáfora para refletir sobre os vínculos que unem as pessoas e sobre os questionamentos que acompanham a existência humana. “A pergunta que a gente queria responder era como se conectar nesse mundo. A peça levanta esses questionamentos de um jeito fantástico e poético. É um convite para que as pessoas embarquem nessa viagem e encontrem suas próprias respostas”, explicou a atriz e dramaturga.
A importância do incentivo municipal à cultura é um dos aspectos destacados por Rafaela Martins. Segundo ela, o Promic foi essencial para ampliar o alcance do espetáculo e permitir que a montagem chegasse a diferentes espaços e públicos da cidade. A atriz destaca que o programa fortalece tanto os grupos culturais quanto o acesso da população às produções locais. “Foi graças ao Promic que a gente pôde sair em circulação e ir para vários espaços da cidade. Sem esse programa, não seria possível chegar a diferentes públicos. É fundamental que iniciativas como essa continuem existindo, porque elas permitem que os grupos circulem e que mais pessoas tenham acesso ao teatro”, afirmou.
A experiência contemplativa e os recursos audiovisuais são características marcantes da montagem. A atriz e dramaturga Bruna Cassemiro explicou que a encenação busca reproduzir a sensação proporcionada pelos observatórios astronômicos e planetários. Para isso, combina projeções desenvolvidas durante a pandemia com cenas executadas ao vivo, criando uma linguagem híbrida que se adapta aos diferentes espaços por onde circula. “Queremos que o público tenha uma experiência contemplativa, assim como quando paramos para observar o céu. O diálogo entre o palco e as projeções faz com que cada apresentação ganhe novos sentidos conforme a troca com o público”, avaliou Cassemiro.

A valorização da produção científica brasileira também faz parte da proposta do espetáculo. Conforme Cassemiro, pesquisas desenvolvidas por cientistas do país ajudam a conduzir a dramaturgia e ampliam as possibilidades de diálogo entre conhecimento científico e linguagem artística. Além da reflexão proporcionada pela obra, a montagem busca aproximar o público das contribuições da ciência para a compreensão do universo e das relações humanas. “As pesquisas de cientistas brasileiras conduzem a dramaturgia da peça juntamente com o mito de Orfeu e Eurídice, trazendo para o público uma história de amor, comunicação e desejo de conexão com o outro”, disse a atriz e dramaturga.
Para a equipe, os encontros buscam aprofundar aspectos do processo criativo, apresentar referências que contribuíram para a construção da obra e promover uma troca direta entre artistas e espectadores sobre os temas abordados no espetáculo.
Patrocinada pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), “Mundus Eurídice” foi criada pela companhia londrinense durante a pandemia de Covid-19. A obra estreou em 2021 em formato audiovisual e foi adaptada para os palcos em 2022. Desde então, passou por diferentes espaços culturais, incluindo o Planetário de Coimbra, em Portugal. Nesta temporada 2026, o Promic promove apresentações gratuitas em diferentes regiões de Londrina. O processo de criação contou com parceria do Planetário de Londrina, onde parte dos ensaios foi realizada, além do apoio da Usina Cultural, do próprio Planetário de Londrina e de profissionais responsáveis pelas áreas artística, técnica e de comunicação da montagem.
Texto: João Souza, sob supervisão dos jornalistas do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura de Londrina




