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Programa VIDA estimula diálogo e empatia junto aos alunos da rede municipal de ensino

Criada em 2019, a iniciativa se fortalece e traz resultados positivos ao proporcionar um ambiente de convivência mais respeitoso e saudável

Em Londrina, uma iniciativa desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação (SME) vem gerando bons frutos a partir da convivência em círculos de diálogo realizados nas salas de aula da rede municipal de ensino, fortalecendo os vínculos entre alunos, educadores e comunidade. Trata-se do Programa VIDA, criado em 2019, implantado em 2020 e que entra no quarto ano de funcionamento atendendo estudantes da Educação Infantil – desde os quatro anos de idade (turmas P4) – e do Ensino Fundamental (até o 5º ano), alcançando ainda a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Este programa é direcionado a todas as 88 escolas, 33 Centros Municipais de Educação (CMEIs) e 58 Centros de Educação Infantil (CEIs) filantrópicos conveniados com a Prefeitura de Londrina. O trabalho, que hoje alcança cerca de 30 mil alunos, consiste na abordagem de aspectos socioemocionais com conversas centradas em temas sensíveis que são levantados a partir de pilares envolvendo autoconhecimento e autocuidado, comunicação, trabalho e projeto de vida, empatia e cooperação.

Dessa forma, o intuito do programa é humanizar ainda mais a educação e possibilitar a formação integral do ser humano, pensando no diálogo sobre valores, inclusão, emoções, afetividade, respeito, cultura de paz, solidariedade, saúde mental, entre outros fatores. O desenvolvimento desses círculos em sala de aula é uma ferramenta da Justiça Restaurativa, que busca formas de solução de conflitos sem o apelo à violência, seja ela psicológica, física ou moral.

Quem executa o Programa VIDA são os professores regentes das unidades escolares. A implantação e gestão do VIDA são de responsabilidade da Diretoria Pedagógica e Gerência de Formação Continuada da SME, responsável por produzir o material disponibilizado aos professores e alunos. Este conjunto de conteúdos, com todos os temas, fica disponível aos educadores da rede municipal de forma permanente no Portal da Prefeitura – na seção Orientações Pedagógicas –, área de acesso livre aos professores.

Foto: Emerson Dias / N.Com

Segundo uma das coordenadoras do Programa VIDA e responsável pelos projetos e eventos da SME, Andrea Militão, conforme as faixas etárias das turmas, os temas começam a ser trabalhados como foco nas emoções mais básicas e vão evoluindo de acordo com a idade das crianças. “Por exemplo, na Educação Infantil falamos sobre o que é o amor, alegria, tristeza, já no quinto ano abordamos temas como bullying, ansiedade, preconceito, memória afetiva”, citou.

A gestora explicou que o círculo de diálogo é um momento em que as crianças e seus professores têm para conversar sobre o tema sugerido para a quinzena. “No círculo, todos têm a sua vez de falar utilizando o objeto da palavra, que é um objeto escolhido pela turma e que será o orientador e regulador da fala. Só pode falar que está com a posse desse objeto e existe uma regra para que todos possam se expressar e compartilhar suas visões. Assim criamos um ambiente seguro que todos estão na mesma posição, pois uma das regras é que devemos falar somente sobre nós, o que pensamos ou o que sentimos. Nesse local, falamos sobre vários temas que foram pensados com a equipe da Gerência de Formação Continuada e auxílio de alguns psicólogos”, destacou Militão.

Fotos: Emerson Dias / N.Com

O material de base do projeto reúne os cadernos dos professores (Educação Infantil até o 5 º ano) com todas as aulas preparadas para serem aplicadas em sala de aula, o tema e o vídeo produzido pela equipe do VIDA. Também traz sugestões de perguntas para serem feitas no círculo de diálogo, além de uma atividade de registro para os alunos fazerem em casa com a família.

Para Carla Cordeiro, também coordenadora do VIDA e responsável pelos projetos e eventos da SME, as ações do programa colaboram para ampliar a conexão entre educador e aluno em momentos produtivos e de reflexão. “Os estudantes se reconhecem nas atividades e ficam abertos para poder estar em um espaço segura de fala e escuta, proporcionado pelos círculos de diálogo. Assim, são criados vínculos de empatia que tornam eles mais capazes de reconhecer e externar suas emoções, e o que fazer com elas”, disse.

A equipe do VIDA também é composta por Raira Cibele, responsável pela editoração dos materiais produzidos pela SME e produção de material deste programa; Thayla Bento, responsável pelas visitas e manipulação dos personagens; e Viviane Perez, da Gerente da Formação Continuada da SME.

Foto: Divulgação

Solidariedade e empatia – Os círculos de diálogo nas salas de aula vêm fortalecendo os laços entre alunos e professores, criando um ambiente positivo que estimula, dentre vários aspectos, o respeito, a empatia e a solidariedade.

Na última semana, alunos da Escola Municipal Roberto Alves Lima, localizada no Jardim Industrial 2, região leste de Londrina, demonstraram seu sentimento às vítimas do terremoto que atingiu a Turquia, recentemente, e também às famílias afetadas pelas chuvas intensas no litoral de São Paulo, evento extremo que deixou mortos, desabrigados e causou muitos danos e prejuízos.

Durante uma roda de conversa do Programa VIDA, as crianças falaram sobre o tema e respeitaram um minuto de silêncio em sala de aula, antes do início das aulas. Segundo o diretor da escola, Amauri Cardoso, o VIDA trabalha com a perspectiva de levar aos alunos valores humanos como respeito, paciência, resiliência, determinação, empatia, tolerância, entre outros, tão importantes. Trabalhamos estes temas e a solidariedade com o povo afetado na Turquia e também no litoral paulista, em um ato de empatia e foi emocionante. Este projeto está espalhado por toda a rede municipal, alcançando milhares de alunos de Londrina e dos distritos rurais”, enfatizou o diretor.

Fotos: Emerson Dias / N.Com

Novidade – Para 2023, uma das novidades do programa é a formação de uma equipe que está indo até as escolas em visitas com a presença dos personagens “alunos” Vidinha, Kiko e Serena, da SME, fantoches que integram a iniciativa e estampam os materiais escolares dos alunos da rede municipal de educação de Londrina. Estes fantoches já eram utilizados em outras ações e eventos da SME. “As crianças podem reconhecer os bonecos que estão em seus cadernos, o que dá mais sentido ao que está sendo desenvolvido”, frisou Carla Cordeiro.

Este grupo será uma forma de fortalecer a iniciativa e uma maneira de se obter um retorno deste público atendido sobre como está sendo conduzido o trabalho, bem como levantar sugestões para o aprimoramento das ações.

Visibilidade – O Programa VIDA, idealizado em 2019 e implantado em 2020, teve papel importante durante o ensino remoto nos períodos de restrições e isolamento por conta da pandemia de Covid-19, que trouxe muitos desafios e impactos à saúde mental, gerando problemas ou agravando aqueles já existentes. Por meio da iniciativa, a SME publicou diversos vídeos para tentar ajudar os educadores, pais, responsáveis e as crianças da rede municipal a enfrentarem o afastamento presencial das escolas. Com o retorno das aulas presenciais, os círculos de diálogos ganharam corpo nas salas de aulas e se tornaram uma ferramenta permanente.

Foto: Divulgação

O VIDA já teve participação em eventos e encontros na cidade, e foi destaque em um estudo, em 2022, sobre saúde mental nas escolas. O levantamento “Boas práticas de saúde mental em escolas: um olhar para 8 países” avaliou e buscou iniciativas escolares bem-sucedidas e voltadas à saúde mental. A elaboração foi pelo Vozes da Educação em parceria com Fundação Lemann, que colocaram o VIDA em destaque dentre as ações das escolas brasileiras.

De acordo com Andrea Militão, uma das coordenadoras, este estudo foi um ponto muito positivo que fortaleceu o programa e trouxe mais motivação. “Temos relatos de professores destacando que a prática do círculo de diálogo proporcionou a criação de um vínculo forte entre educadores e alunos, melhorando a qualidade dos relacionamentos em sala de aula e proporcionando uma melhora no aprendizado. Outros relatos que temos é sobre a superação do luto que muitas famílias tiveram durante a pandemia, o acolhimento dos alunos que passaram por perdas de familiares. E ainda depoimentos de docentes que aplicaram a escuta ativa para dentro de seus lares, propondo-se a escutar mais seus familiares e juntos procurarem um caminho para resolver determinada situação”, contou.

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