Casa da Mulher transforma a vida de mulheres londrinenses
Através de oficinas, debates e palestras, mulheres conquistam a autonomia; somente em 2015, foram realizadas 51 oficinas, que tiveram a participação de 1.357 mulheres
Muito além de ensinar uma nova profissão, ou desenvolver habilidades manuais, as atividades realizadas pela Casa da Mulher tornaram-se oportunidades de mudança de vida para as mulheres londrinenses. A unidade integra a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres e é um Centro de Formação e Ações Integradas localizado na região leste de Londrina. Seu objetivo principal é promover a formação e qualificação profissional das mulheres londrinenses.
Através da oportunidade da mulher conseguir sua própria renda mensal, ou aprender mais sobre um tema de seu interesse, o trabalho realizado pela equipe da Casa da Mulher reflete em questões como autoestima, igualdade de direitos e valorização pessoal.
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Sonia Medeiros, afirmou que na Casa da Mulher são desenvolvidas, durante todo o ano, políticas públicas que empoderam a mulher, gerando consequências positivas para toda a comunidade londrinense. “Ao discutir assuntos do interesse feminino, levando conhecimento e abordando temas como direitos e oportunidades, valorizamos a mulher como cidadã, dando lugar para sua voz na sociedade”, considerou.
Conquista – Paula de Fátima Marques Cesar, de 30 anos, é uma das mais de quatro mil mulheres que já participaram das oficinas promovidas no espaço desde 2013. Desempregada, procurou a Casa da Mulher para ocupar o tempo livre, pois cuidava sozinha dos filhos enquanto o marido trabalhava fora. Quatro anos depois, vendendo bolos e ovos de páscoa, Paula participou, na última semana, da oficina de ovos de Páscoa e cones de chocolate trufado. E pela primeira vez, como professora.
“Hoje, me sinto útil e valorizada. Cada curso que frequentei aqui fez muita diferença, pois eu preciso ter a minha renda. Quando comecei as aulas, passei por tempos difíceis, sem nenhuma motivação dentro de casa para que eu participasse das oficinas. Hoje, minha família me apoia, e vê a importância do meu trabalho. Conquistei meu espaço, minha clientela, e tenho a ajuda do meu marido nas vendas e encomendas”, contou.
Sobre a oportunidade de repassar o conhecimento obtido nas oficinas da Casa da Mulher, Paula se mostrou muito empolgada. “Comecei os cursos para ter uma ocupação, aprendi, e hoje ajudo a fazer a diferença na vida de outras mulheres”, destacou.
Assim como Paula, Adelaide Cristina Pereira também teve sua primeira oportunidade como professora em uma das Oficinas promovida pela Casa da Mulher. Atualmente, aos 45 anos, mora somente com o marido, mas para criar e contribuir no sustento dos dois filhos, contou com o que aprendeu na Casa da Mulher. “Estava desempregada, tinha perdido meu trabalho por problemas de saúde, e descobri que havia vagas para um curso sobre chocolate. Isso foi há quatro anos, e desde então eu trabalho com chocolates, tenho uma renda, e contribuo para o sustento da minha família”, relembrou.
Para Adelaide, aprender a fazer os ovos de páscoa, bombons e outros itens alimentícios fez muita diferença. “Esses cursos são importantes para o bem-estar emocional da gente. Quando a mulher é demitida, sofre um abalo psicológico. E é preciso arrumar uma ocupação rapidamente, ou você fica deprimida. Os cursos me ajudaram nisso: minha autoestima elevou, e aprendi algo que até hoje rende frutos. E cada vez que alguém elogia meus produtos, fico ainda mais motivada”, ressaltou.
De acordo com a gerente da Casa da Mulher, Sônia Ulian, histórias como a de Adelaide e Paula mostram os bons resultados que a Casa da Mulher tem conquistado, na busca pela igualdade de oportunidades e autonomia econômica para as mulheres. “O maior nível de bem-estar das mulheres depende de melhorias nas condições de vida de suas famílias e comunidades. Isso só é possível com acesso à informação, saúde, educação, e melhoria das condições econômicas. Nosso trabalho, que conta com vários parceiros do poder público e privado, atua diretamente nestas questões”, frisou.
Dados – Entre 2013 e 2015, a Casa da Mulher realizou 111 palestras e oficinas. Participaram 4.129 mulheres, e foram registrados 6.173 atendimentos neste período. Somente em 2015, foram realizadas 51 oficinas, que tiveram a participação de 1.357 mulheres. O número de atendimentos foi de 1.901 no último ano.
Atuação – A temática das oficinas e palestras realizadas pela Casa da Mulher se divide em três áreas. A primeira é Geração de Renda, com orientações sobre artesanato, modelagem, preparação para o mercado de trabalho, gastronomia e estética. Há também a temática Mulher e Cidadania, com oficinas e palestras sobre saúde, questões de gênero e psicologia. E também são promovidas oficinas e palestras educativas, que abordam questões sobre meio ambiente, reciclagem, alimentação saudável, entre outros.
A equipe responsável pela Casa da Mulher também oferece apoio e orientação para a organização e articulação de associações comunitárias femininas. No momento, são atendidas oito associações, inclusive com acompanhamento técnico. Também são realizadas feiras de artesanato, para comercialização de produtos, confeccionados pelos grupos de mulheres.
A psicóloga da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Lisneia Aparecida Rampazzo, acrescentou também o trabalho feito com mulheres da região rural de Londrina através da Casa da Mulher. O Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), realizado em parceria pelos governos municipal, estadual e federal, selecionou 72 famílias, que receberam unidades habitacionais subsidiadas neste mês de fevereiro. Dentre os integrantes destas famílias, as mulheres participaram de oficinas com dinâmicas e debates, com o objetivo de desenvolver a autonomia feminina.
Segundo a psicóloga, os temas abordados nos encontros, que foram mensais, contribuíram para que essas mulheres descobrissem a importância de seu papel no ambiente em que vivem. “A desigualdade entre homens e mulheres é muito acentuada na área rural, pois elas acumulam as atividades domésticas, a criação dos filhos e também as atividades agrícolas. Nosso trabalho permite que essa mulher conheça seus direitos, e tenha autonomia para mudar essa condição. Através das discussões, elas percebem que a parceria entre homens e mulheres na divisão de suas responsabilidades traz benefícios tanto individual quanto coletivo, promovendo mudanças na família e em sua comunidade”, explicou.
A Casa da Mulher fica localizada na rua Máximo Peres Garcia, 340, no conjunto Antares.
Fotos: Vivian Honorato