Cidade

Londrina se prepara para nova fase do Método Wolbachia de combate à dengue

Ações visam conscientizar a população antes da soltura dos mosquitos com a bactéria que impede a transmissão da dengue. Nova etapa cobrirá área que soma 151 mil moradores 

O município de Londrina inicia em breve uma nova etapa no fortalecimento das ações de combate à dengue, zika e chikungunya. Mosquitos reproduzidos pelo método Wolbachia que ganharam a proteção contra os vírus que transmitem estas doenças serão levados a 44 novas áreas do município. A ação visa ampliar a cobertura pelo método na cidade, que teve uma primeira etapa da iniciativa realizada entre os anos de 2024 e 2025.  

Para multiplicar as informações sobre os trabalhos previstos e esclarecer como funciona a metodologia, agentes da Vigilância em Saúde do Município estão percorrendo escolas, unidades de saúde e outros estabelecimentos públicos que atendem moradores das áreas a serem contempladas; a previsão é de que a soltura dos mosquitos ocorra a partir de agosto. A tecnologia é conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operada pela Wolbito do Brasil. 

Saiba mais sobre esta e outras tecnologias empregadas no combate à dengue em Londrina 

Membro da equipe que está circulando os bairros da cidade, o agente de endemias Vandré Lucio dos Santos auxiliou na entrega de folhetos de orientação e cartazes que informam a proximidade das ações. “Até há poucos dias eu vinha atuando no Parigot de Souza, onde já foi solto o mosquito com a bactéria Wolbachia. Minha visão é que reduziu-se em mais de 50% o número de casos de dengue na região”, comentou o profissional, que atua em vistorias e mutirões para o controle dos vetores que causam doenças.  

Ele destacou, ainda, que as novas tecnologias são auxiliares, mas não devem substituir os cuidados básicos para evitar a proliferação dos mosquitos. “Ainda encontramos muita água parada. E muitos focos são resultado da falta de cuidado das pessoas, como água acumulada dentro de tambores, copinhos e de saquinhos de plásticos”, exemplificou.  

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Um dos lugares visitados por Santos – junto com os colegas Rosa Maria Rodrigues de Melo e Wellington dos Santos – foi a UBS Centro, na avenida Souza Naves. Na unidade, a enfermeira de Saúde da Família Michelle Fabiane de Faria afirmou que vê a soma desta nova tecnologia com esperança de que haja diminuição nos casos de dengue, já que a incidência da doença impacta significativamente os atendimentos no período de calor: “Aumenta muito o fluxo de pacientes, demanda muita medicação, soro, consultas e atendimentos de enfermagem, o que prejudica bastante”, observou.  

O otimismo é compartilhado com o colega Diego de Lima, enfermeiro na UBS Vila Brasil. A unidade é referência para atendimento aos moradores da Vila Rodrigues, que receberá a soltura dos mosquitos neste segundo semestre. “Os ovos permanecem por muito tempo na natureza, e com a chuva eles eclodem. Quando o ciclo começa de novo, isso reflete nos nossos atendimentos, porque há uma alta procura e acaba sobrecarregando os serviços de saúde”, explicou. Ele disse que conhecia o método Wolbachia apenas de “ouvir falar”, e achou boa a iniciativa de uma divulgação mais próxima. “É uma novidade que está vindo para contribuir com a saúde da população, então esse trabalho é muito importante para transmitir o conhecimento a todos”, avaliou.  

Educação como ferramenta de prevenção 

Outros pontos visitados pela equipe foram a Escola Municipal da Vila Brasil e o Colégio Estadual Cívico-Militar Newton Guimarães. O diretor do colégio, José Rodolfo da Silva Zamonele, elogiou a iniciativa e afirmou que irá multiplicar a informação nas salas de aula. “Na minha visão, é fundamental que a gente trabalhe com a maior quantidade de ferramentas possível para a prevenção. Nosso país sofre a cada verão, principalmente se pensamos na questão do mosquito Aedes aegypti. Então, fico muito contente com a presença dos agentes aqui”, afirmou. 

Como funciona o método 

O método utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, uma bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza. Ela impede que os vírus da dengue, Zika e chikungunya se desenvolvam dentro do mosquito, reduzindo drasticamente a capacidade de transmissão das doenças. Quando esses mosquitos são liberados e se reproduzem com os mosquitos locais, transmitem a Wolbachia de forma natural para as próximas gerações. 

A tecnologia é segura, não usa produtos químicos, não altera geneticamente os mosquitos (não são transgênicos) e já tem eficácia comprovada. Em cidades como Niterói (RJ), onde o método foi implantado, houve redução de até 70% nos casos de dengue. Em Londrina, os indicadores deste ano apontam forte queda nas notificações da doença, em comparação com 2025 – no primeiro quadrimestre, período mais crítico pelas altas temperaturas, houve uma redução de 74%.   

Próximos Passos 

Após a conclusão da etapa de comunicação e engajamento, será realizada a liberação semanal dos Wolbitos no município, de forma controlada, por equipes técnicas especializadas, em veículos próprios. A expectativa é que, ao longo dos meses, a presença da Wolbachia aumente de forma natural e estável na cidade. A primeira fase do Método Wolbachia em Londrina ocorreu em 2024/2025, e contemplou 129 áreas, onde moram aproximadamente 309 mil pessoas. 

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