Operação Noite Fria tem nova etapa de atendimentos nas ruas de Londrina
Serviços são intensificados nesta semana para dar acolhimento e abrigo a quem mais precisa; resultados de 2026 são expressivos
Em virtude da queda de temperatura nos últimos dias em Londrina, a Prefeitura continua ativa nas ações especiais da Operação Noite Fria, desenvolvendo trabalhos de abordagem social, sensibilização e encaminhamentos para pernoite e acolhimentos ofertados pelo Município. Mais uma sequência de atividades em campo iniciou na terça (7), quando a equipe multiprofissional da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), com suporte da Guarda Municipal (GM), percorreu bairros da região central e outras áreas para promover as atividades que têm como foco garantir proteção social e reduzir os riscos à vida da população em situação de rua.
Apenas na terça-feira, foram atendidas 71 pessoas, resultando em 47 encaminhamentos para acolhimento institucional. Foram 29 pessoas atendidas pela equipe de abordagem – 16 encaminhamentos para acolhimento institucional e um retorno familiar; e 42 pessoas pela equipe do micro-ônibus, perfazendo 31 encaminhamentos para acolhimento.

As atividades prosseguem até esta sexta-feira (10), com extensão em caso de permanência das temperaturas mais baixas. Em 2026, a Operação Noite Fria começou em maio e tem previsão para continuar até setembro, podendo ser prorrogada de acordo com as condições climáticas. Somente em junho, foram 27 dias de operação.
Conduzida pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS), a atuação é feita principalmente nos dias mais frios do ano, com previsão de alcançar marcas menores que 10 graus ou 14 graus com chuva ou sensação térmica abaixo, atendendo das 17h às 22h, em média. Antes disso, no entanto, o time operacional faz atendimentos e sensibilização para acesso aos serviços de proteção desde o período da manhã, a partir das 8h.
Na Operação Noite Fria, os encaminhamentos concentram-se, predominantemente, na modalidade de acolhimento institucional, envolvendo direcionamentos a unidades de pernoite, casa de passagem e acolhimento integral, vinculadas à rede socioassistencial. A iniciativa permite a ampliação do número de vagas em serviços de acolhimento, a flexibilização dos critérios de acesso, oferta de cobertores, alimentação e apoio ao retorno familiar.

Com o pernoite, o público que aceita a oferta tem direito a alimentação, banho e higiene pessoal, área para lavar roupas e local para dormir, além de café da manhã. Também recebe orientações sobre os serviços municipais de proteção social e sobre acesso ao mercado de trabalho, de acordo com o perfil de cada cidadão atendido.
O ônibus utilizado para fazer os circuitos saem de ponto fixo com horários marcados, entre 17h30, 18h15 e 20h, a partir do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua.
A maior parte do público atendido é do sexo masculino, na faixa de 25 a 58 anos de idade, sendo uma minoria formada por mulheres. A oferta é voltada a adultos a partir de 18 anos, incluindo o público transgênero, em situação de desproteção social e sem condições de autossustento.

Coordenador do serviço de Abordagem Social da SMAS, Edilso Padilha Pereira apontou que a estratégia amplia a capacidade operacional do serviço, possibilitando retorno das pessoas acolhidas, a realização de novas abordagens sociais e uma maior cobertura dos locais de permanência da população em situação de rua previamente mapeados no município. “O foco essencial é proteger essas pessoas do frio nesse período do ano, oferecer os cuidados necessários e abrir chances para elas conseguirem deixar essa condição nas ruas. Todos os anos, nesse período, ampliamos nossas ofertas, em especial nos acolhimentos institucionais, e flexibilização dos encaminhamentos gerais. Temos em Londrina espaços para acolhimento 24 horas e serviço de pernoite 12 horas, que é a modalidade com maior adesão”, afirmou.
Parte dos bons resultados recentes deste trabalho são a elevada taxa de atendimentos das solicitações (95,7%), ocupação quase integral das vagas masculinas durante todo o período, utilização crescente das vagas intermitentes nos dias mais frios, e atendimento integral da demanda das pessoas acompanhadas de animais.
Ainda houve a oferta de unidade complementar para pernoite intermitente masculino, iniciada em 15 de junho, ampliando a capacidade da operação, resultando em 111 solicitações, 101 encaminhamentos e 285 acessos, incluindo os retornos de pessoas já acolhidas. Isso permitiu absorção de parte importante das demandas quando as temperaturas alcançaram níveis menores (mais resultados abaixo).

Para o secretário municipal de Assistência Social, Claudio Melo, a ampliação temporária das vagas é fator fundamental para garantir proteção social imediata à população em situação de rua durante o período de frio intenso, reduzindo o risco de desassistência e aumentando a capacidade de resposta da rede socioassistencial. “Os resultados são extremamente positivos até aqui, evidenciando sua efetividade. Os elevados índices de ocupação e de atendimento às solicitações reforçam a importância dessa estratégia como medida de preservação da vida. De forma especial, destacam-se o comprometimento, a sensibilidade e a atuação incansável das equipes envolvidas, que desempenham papel fundamental nas abordagens sociais, nos encaminhamentos e no acolhimento. Isso garante atendimento humanizado, ágil e qualificado, mesmo diante do aumento da demanda e das condições adversas impostas pelo inverno”, destacou Melo.

Acolher, escutar e dar oportunidades – Segundo a psicóloga do Centro POP, Ana Carolina Athayde, o trabalho integrado da Operação Noite Fria é bastante desafiador e possibilita às pessoas atendidas condições de deixar a situação de rua. “Muita gente vive em situação precária e de pobreza nas ruas, muitas vezes sem alimentos, com frio, então as ações especiais ampliadas contribuem para fortalecer esse suporte de acolhimento. Vemos, com isso, a possibilidade de trazer um olhar mais amplo e diferenciado para que elas consigam fazer um processo de reorganização pessoal e até superar a situação naquele momento. Ter essa visão nos motiva todos os dias a trabalhar e contribuir com eles nessa caminhada”, contou.

Um dos locais visitados na terça-feira (7) durante a operação, foi a instituição MMA, que oferece a modalidade pernoite e é vinculada à Assistência Social. O educador social Alex Alves, que atua neste espaço, explicou como funciona a entrada de quem aceita o acolhimento. “A primeira orientação é sobre as regras da casa, não permitindo bebidas alcoólicas, drogas, comportamentos ofensivos ou desavenças. O respeito é fundamental, pois trabalhamos com educação e precisamos de um ambiente saudável e construtivo. Depois, eles assinam um termo de responsabilidade e recebem kit com toalha, lençol, fronha, coberta e travesseiro, além de kit higiene para banho. Orientamos sobre os horários de refeições e demais instruções. No lado social, queremos entender como a pessoa chegou, de onde veio e o motivo de estar nas ruas. Temos assistentes sociais que fazem um trabalho com eles e também encaminham para chances no mercado de trabalho, quando possível”, explicou.

Alves disse que é comum parte das pessoas voltarem às ruas, enfatizando que o serviço de acolhimento exige cuidado, atenção e paciência. “Somos preparados para agir da melhor forma. Alguns deles retornam para as ruas por não se sentirem fortes e preparados naquele momento, outros voltam para cá. Os atendidos se sentem melhor a partir da nossa triagem, do papo e trato respeitoso que temos. Muitos também conseguem, felizmente, superar sua situação e seguir em frente. Acompanhar essas vitórias é muito legal e só reforça a importância do trabalho feito aqui”, compartilhou.
Números recentes – As últimas etapas do Noite Fria, de 10 a 30 de junho, resultaram em 1.163 acessos no pernoite permanente e intermitente para o público masculino, responsável pela maior ocupação. Em média, foram 55 pessoas acolhidas por noite nesse período, correspondente a 60 vagas disponíveis (92,3% de ocupação média).
Já o acolhimento do público feminino/trans apresentou, no mesmo período, 155 acessos – média de 7,4 pessoas por noite em uma capacidade de 14 vagas (53% de ocupação média). Na categoria pernoite com pet, serviço destinado às pessoas acompanhadas de animais de estimação, foram 16 solicitações, 16 encaminhamentos (100% de atendimento), com 55 acessos durante o período.

As operações contam com equipe de abordagem social, equipe no ônibus e outra de busca, mais uma central de vagas. E também equipes de acolhimento com educadores sociais, coordenadores e gerência de sobreaviso. A GM presta apoio acompanhando as atividades nas ruas.
Oferta – A modalidade pernoite tem hoje 74 vagas (60 masculinas e 14 femininas), contando com as 20 vagas ampliadas para o inverno. Além do pernoite, o Município conta com uma casa de passagem masculina (40 vagas), dois acolhimentos masculinos (56 vagas), uma casa de passagem com acolhimento feminino (20 vagas), e uma casa de passagem para acolhimento trans (5 vagas). Outros suportes são acolhimentos em repúblicas para encaminhamento dos atendidos que estão em processo de organização para vida independente, bem como dois acolhimentos em parceria com a saúde municipal.
Como acionar – As abordagens sociais são realizadas a partir de solicitações encaminhadas pela própria população em situação de rua, pela rede de serviços, comunidade e também por meio de buscas ativas realizadas pelas equipes nos pontos de permanência identificados no município. Os profissionais realizam escuta qualificada, orientação e encaminhamentos conforme as demandas apresentadas, garantindo acesso à rede socioassistencial. O Serviço de Abordagem Social atende pelo (43) 99991-4568 e qualquer pessoa da comunidade pode acioná-lo.




