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Auditoria de contas da Casa do Bom Samaritano aponta dano ao erário público

Prefeitura cobra a devolução de R$1 milhão, após detecção de irregularidades na aplicação de recursos públicos recebidos pela entidade

Após uma análise detalhada de seis termos de colaboração e fomento firmados pela Casa do Bom Samaritano para recebimento de recursos da Prefeitura de Londrina, a administração do município identificou irregularidades na prestação de contas da aplicação de parte dos recursos destinados às atividades mantidas pela instituição até 2025.

Foto: Emerson Dias/NCom

Somadas as inconsistências na utilização de verbas públicas, ausência de comprovação adequada de parte dos gastos realizados e bens cedidos pelo município que continuam em posse da entidade após o encerramento de suas atividades, a Prefeitura contabilizou R$1 milhão em prejuízos ao erário público, que agora estão sendo cobrados da Organização da Sociedade Civil responsável pela gestão dos serviços até o ano passado.

A instituição mantinha uma estrutura para o acolhimento institucional de idosos e de homens adultos em situação de vulnerabilidade, além de dois centros de educação infantil para crianças de zero a cinco anos. No segundo semestre de 2025, a organização anunciou unilateralmente o encerramento de suas atividades, o que desencadeou um processo de ajustes para evitar o desamparo da população atendida. Os moradores do acolhimento institucional foram direcionados a outras instituições, e os dois centros de educação infantil seguem funcionando sob nova gestão.

Simultaneamente, a Prefeitura de Londrina instaurou uma Tomada Especial de Contas para a revisão detalhada dos termos de colaboração e fomento vigentes à época. Foram auditados três termos de colaboração. Dois deles haviam sido firmados em 2022 – um com a Secretaria Municipal de Educação, outro com a Secretaria Municipal do Idoso; um terceiro termo foi firmado em 2023 com a Secretaria Municipal de Assistência Social. Também foram auditados dois termos de fomento firmados com a Assistência Social (em 2024 e 2025), e um termo de fomento firmado com a Secretaria do Idoso, em 2025. O valor dos repasses em todos esses termos de parceria soma R$ 13 milhões, e a maior parte das irregularidades identificadas são relativas a despesas ocorridas no último ano.

“É nosso papel buscar o ressarcimento dos valores aos cofres públicos”, ressaltou Guilherme Arruda / foto: Emerson Dias

O controlador-geral do Município, Guilherme Arruda, explicou que a apuração foi um primeiro passo para esclarecer o cenário de desequilíbrio na gestão da entidade e garantir que o bem público não seja prejudicado após o encerramento das atividades. “É nosso papel buscar o ressarcimento dos valores aos cofres públicos para preservar o patrimônio comum, garantindo justiça e transparência”, apontou. A cobrança já foi notificada à instituição e foi publicada no Jornal Oficial do Município, nesta segunda (1) e terça-feira (2). Caso não haja resposta, nos próximos dias a dívida será registrada pela Secretaria Municipal de Fazenda e encaminhada para que a Procuradoria Geral do Município ingresse a cobrança por vias judiciais.

Além disso, Arruda adiantou que o resultado da Tomada Especial de Contas será encaminhado ainda nesta semana para o Tribunal de Contas do Estado, que poderá adotar providências administrativas contra a organização, e ao Ministério Público, que ficará responsável pela análise da responsabilidade civil ou criminal da antiga gestão da Organização da Sociedade Civil Casa do Bom Samaritano.

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